Manuscritos do Timbuktu – a escrita enquanto técnica perene

Por Bruna Baldini de Miranda

A aura que envolve os manuscritos, sejam eles de que época forem, parece nunca se desvanecer. E mesmo na Era da Digitalização tudo leva a crer que essa aura se mantém. Bem, não é para menos, pois através dos manuscritos é possível ter acesso a informações ou contextos inalcançáveis. O que mais chama a atenção é que parece haver uma espécie de movimento recente, empenhado em reafirmar que apesar de estarmos entrando em um período em que se utilizará cada vez menos a escrita manuscrita – eles, os manuscritos, estão ocupando reconhecido lugar de destaque – considerando que uma verdadeira leva em diferentes instituições e localidades tem sido sistematicamente digitalizada há algum tempo. Continue lendo “Manuscritos do Timbuktu – a escrita enquanto técnica perene”

Inauguração da Biblioteca Mindlin

O edifício, projetado pelos arquitetos Eduardo de Almeida e Rodrigo Mindlin Loeb, está preparado para receber pesquisadores e visitantes, assim como abrigar exposições, eventos e outras atividades acadêmicas e culturais.

Tudo isto foi possível a partir da doação da coleção brasiliana de Guita, José e seus filhos (Betty, Diana, Sérgio e Sônia), da dedicação e ousadia do professor István Jancsó, do apoio seguro da Reitoria da USP e da confiança de diversos patrocinadores e parceiros: Fundação Lampadia, BNDES, Petrobras, CBMM, CSN, Votorantim, Telefônica (Vivo), Suzano, Santander, Natura, Cosan, Raízen, CPFL e o senador Eduardo Suplicy.

Ao longo destes anos, muitos se envolveram nesta jornada e merecem todos os créditos por termos realizado este sonho de José Mindlin. Que é um sonho de todos nós. Podemos, agora, dar início a uma nova fase da Biblioteca Mindlin, sempre aberta, sempre atenta ao presente e ao futuro, sempre disposta ao diálogo e à produção do conhecimento.

Duas exposições serão inauguradas e poderão ser visitadas pelo público (gratuitamente) a partir do dia 25 de março. Ambas são uma realização do Instituto Brasiliana e foram patrocinadas pelo BNDES e pela Petrobras, por meio de incentivo fiscal (Ministério da Cultura).

“Não faço nada sem alegria” é uma exposição de longa duração com painéis, fotos e vídeos sobre a vida de Guita e José, a formação do acervo da Biblioteca, a construção do edifício, a cultura do livro, a história da imprensa e o prazer da leitura.

“Destaques da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin” é uma mostra de cerca de cem títulos da coleção que estarão expostos até 28 de junho. É uma oportunidade para ver de perto alguns dos itens mais valiosos e importantes da brasiliana Mindlin.

O atendimento aos pesquisadores será feito a partir do dia 02 de abril, inicialmente apenas no período da tarde. Pedimos antecipadamente desculpas por este inconveniente, mas estamos ainda formando uma equipe e organizando os procedimentos para melhor atender o público, incluindo, em breve, a disponibilização do catálogo da Biblioteca Mindlin no Catálogo Geral da USP – Dedalus. Assim, solicitamos o agendamento prévio das visitas de pesquisa ao acervo, que poderá ser feito através do email brasiliana@usp.br. (http://www.brasiliana.usp.br/node/1064. Acesso em 22-3-2013)

Políticas das questões

http://dp.la/info/about/history/

O projeto da Biblioteca Pública Digital Americana (ou DPLA, sigla para Digital Public Library of America) irá estabelecer, uma vez implantado,  novos paradigmas para a digitalização de acervos públicos.

Esta e algumas outras questões relevantes se colocam durante a entrevista concedida por Robert Darnton – diretor da Biblioteca da Universidade de Harvard –  ao jornal Folha de São Paulo.

A questão do estabelecimento de novos paradigmas, ainda que não seja o principal aspecto abordado na entrevista, pode determinar decisivamente como o acesso ocorrerá na prática. Entretanto, o que mais chama a atenção nessa entrevista é a forma como o projeto DPLA se realizará, ou seja, que políticas públicas serão adotadas para concatenar questões como direito autoral, digitalização, disponibilização de acervo e etc.

Outra questão que a entrevista levanta é a oposição que ocorrerá entre os projetos Google Books e o DPLA, uma vez que o primeiro projeto é voltado para o lucro e o segundo, não – ou seja, em outras palavras esses dois projetos representarão faces opostas em um mesmo contexto: disponibilização e acesso em acervos digitais.

É evidente que a entrevista suscita uma série de considerações, dentre outras, esta especificamente nos encaminha a uma interessante conclusão, ainda que não mencione a problemática: a necessidade urgente de uma espécie de curadoria de conteúdos para os acervos digitalizados.

A digitalização de inúmeros acervos residentes em uma infinidade de instituições exige uma espécie de curadoria, não a mesma que se aplicaria a exposições físicas e também não a mesma classificação de uma biblioteca e/ou instituição. A profusão de informações a que é possível se ter acesso na internet se assemlha muito a um turbilhão. De modo que algum tipo de curadoria, que não só contextualizasse as informações, mas também as abrigasse sob eficazes eixos temáticos, se torna absolutamente necessário.

Entretanto, a problemática que não se delineia é justamente essa voltada à perspectiva da curadoria em acervos digitalizados. Uma operação interessante seria realmente estabelecer eixos temáticos entre os vários títulos e materiais (mapas e etc.) digitalizados. Além disso, o ideal seria estabelecer diálogos entre diferentes acervos, pois é de conhecimento geral que diferentes edições de uma mesma obra se encontram em diferentes acervos. Uma interessante e necessária vertente de pesquisa que se delineia é a de estudar e avaliar como foram catalogados e digitalizados esses materiais que representam diferentes faces de um mesmo evento/fato/acontecimento.

No limite, é sempre necessário manter no horizonte que ao final da digitalização do acervo, a etapa final – pensando na disseminação do conhecimento e no espalhamento das informações – na verdade ocorrerá apenas quando o usuário delas fizer uso. Portanto se configura como de extrema relevância a maneira/forma como se digitalizou e se catalogou aquela determinada informação e/ou conteúdo. Por essa razão a opção de se estruturar eixos temáticos se coloca como necessária ao fluxograma da digitalização, enquanto processo.

Como a própria entrevista acima sugere, existem muitos envolvidos nesse grandioso projeto, fruto da iniciativa de instituições privadas; e este é justamente o ponto crucial: a gestão por parte de instituições privadas da digitalização de acervos públicos, operação que trará decisivas e desconhecidas consequências, que também se configurarão como uma outra interessante perspectiva para se analisar e compreender o acervo digitalizado e, prinicipalmente, a maneira como será disponibilizado; além disso, sobretudo, sem esquecer como o conteúdo nele contido será publicado na rede mundial. Entende-se que toda e qualquer circusntância, nesse contexto, representa inovadores e originais desdobramentos para o projeto como um todo.

Sem dúvida o Projeto DPLA é ansiosamente aguardado, entretanto, também serão esses tais previsíveis e inimagináveis desdobramentos.

Veja mais em:

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/1231427-o-acervo-digital-dos-estados-unidos-vem-ai.shtml

Imagem destacada:

DPLA, http://dp.la/info/about/history/

O digital e as novas formas de construção do conhecimento

O digital e as novas formas de construção do conhecimento

Maria Clara Paixão de Sousa

Comunicação ao Seminário Internacional Sistemas de Informação e Acervos Digitais de Cultura – 12/03/2013

Créditos das Imagens e
Referências bibliográficas

Illustration of a scholar from The arte or crafte to lyve well and to dye well, printed 1505, the South Quire Aisle – Windsor College http://www.stgeorges-windsor.org/archives/blog/?tag=south-quire-aisle
Illustration of a scholar from The arte or crafte to lyve well and to dye well, printed 1505, the South Quire Aisle – Windsor College
http://www.stgeorges-windsor.org/archives/blog/?tag=south-quire-aisle
WILLEM VAN SWANENBURGH. Leiden c. 1581/1582 – 1612 Leiden.After J.C. Woudanus. The interior of the University Library in Leiden. BIBLIOTHECAE LUGDUNO-BATAVAE CUM PULPITIS ET ARCIS IXNOGRAPHIA. Engraving, 1610. http://www.masterprints.nl/prints/11/si_10.html
WILLEM VAN SWANENBURGH. Leiden c. 1581/1582 – 1612 Leiden.
After J.C. Woudanus. The interior of the University Library in Leiden. BIBLIOTHECAE LUGDUNO-BATAVAE CUM PULPITIS ET ARCIS IXNOGRAPHIA. Engraving, 1610. http://www.masterprints.nl/prints/11/si_10.html
Le diverse et artificiose machine del capitano Agostino Ramelli... Ramelli, Agostino, 1531-ca. 1600. Arquivo digital da Beinecke Library, Elizabethan Club of Yale University, 1032311
Le diverse et artificiose machine del capitano Agostino Ramelli… Ramelli, Agostino, 1531-ca. 1600. Arquivo digital da Beinecke Library, Elizabethan Club of Yale University, 1032311
Chained Library -  Hereford Cathedral. http://www.herefordcathedral.org/education-research/library-and-archives/history-of-the-chained-library
Chained Library – Hereford Cathedral. http://www.herefordcathedral.org/education-research/library-and-archives/history-of-the-chained-library
Cincinnati Public Library, 19th century. http://www.cincinnatimemory.org/
Cincinnati Public Library, 19th century. http://www.cincinnatimemory.org/

Referências bibliográficas

ARL – Association of Research Libraries. Definition and Purposes of a Digital Libraries. ARL, 1995. <http://www.ifla.org/documents/libraries/net/arl-dlib.txt>.

Baganha, Filomena: Novas bibliotecas, novos conceitos. Revista da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais. Porto. ISSN 1646-0502. 1 (2004) 93-97.<https://bdigital.ufp.pt/dspace/handle/10284/616>

Duguid, Paul. Report of the Santa Fe Planning Workshop on Distributed Knowledge Work Environments: Digital Libraries. University of Michigan School of Information, Sept./1997.

Kuny, Terry; Cleveland, Gary. “The Digital Library: Myths and Challenges”, in IFLA Journal, v. 24, n. 2, 1998. <http://www.ifla.org/IV/ifla62/62-kuny.pdf>.

Lucas, Clarinda Rodrigues. O conceito de biblioteca nas bibliotecas digitais. Informação & Sociedade. Estudos, João Pessoa – PB, v. 14, n. 02, 2004. http://143.106.108.14/BoletimSBU/2005/julho/Artigos/IS1420401.pdf

Sayão, Luis Fernando. Afinal, o que é biblioteca digital?. Rev. USP [online]. 2009, no. 80 [citado 2010-09-08], pp. 6-17. <http://www.revistasusp.sibi.usp.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-99892009000100002&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 0103-9989.

Unsworth, John. Forms of Attention: Digital Humanities Beyond Representation. Paper delivered at “The Face of Text: Computer-Assisted Text Analysis in the Humanities,” the third conference of the Canadian Symposium on Text Analysis (CaSTA), McMaster University, November 19-21, 2004. <http://www3.isrl.illinois.edu/~unsworth/FOA/>

Sistemas de Informação e Acervos Digitais de Cultura


Seminário Internacional Sistemas de Informação e Acervos Digitais de Cultura

De 11 a 13 de março de 2013, no Auditório István Jancsó da Biblioteca Mindlin (USP), a Secretaria de Políticas Culturais do MinC realiza o “Seminário Internacional Sistemas de Informação e Acervos Digitais de Cultura”, com a presença da ministra Marta Suplicy na mesa de abertura.

O Seminário propõe reunir gestores públicos e privados, pesquisadores e comunidade acadêmica interessados em sistemas de informações culturais com interfaces colaborativas e arranjos de integração para acervos digitais de bibliotecas, arquivos e museus.

O presente evento dialoga diretamente com o “Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais”, realizado pelo MinC e pela Brasiliana USP em 2010.

Veja a programação do evento e outras informações no sitehttp://culturadigital.br/acervosdigitais/