‘Media Commons’: novas perspectivas para a escrita acadêmica

Imagem de http://mediacommons.futureofthebook.org/

A necessidade de se publicar trabalhos científicos rigorosamente criticados por pares em grandes quantidades é hoje um consenso no mundo acadêmico – ao menos, é um consenso a cuja métrica todos os que desejam permanecer ativos na vida intelectual universitária precisam se adaptar. Poucos, entretanto, têm se aventurado a interrogar o sentido que a expressão “crítica por pares“, ou mesmo o termo “publicar“, adquiriram nos dias de hoje. As publicações acadêmicas continuam a seguir a lógica do mundo impresso – quando não na sua forma física, ao menos na sua metodologia.

Nesse contexto, a editora Media Commons Press – Open scholarship in open formats (parte do projeto mais amplo Media Commons) aparece como um sopro de inovação. Iniciada em 2007 pela pesquisadora norte-americana Kathleen Fitzpatrick, da Universidade de Nova York, a editora se propõe a publicar trabalhos acadêmicos em formato inteiramente aberto à leitura e à contribuição crítica de comentaristas registrados – um “peer-review” colaborativo em linha.

Um caminho extremamente interessante para se conhecer o conceito da editora é ler, na plataforma, seu livro inaugural – “Planned Obsolescence: Publishing, Technology, and the Future of the Academy“, da própria FItzpatrick, que discute os desafios dos formatos atuais de publicação acadêmica e propõe novos formatos e conceitos para a difusão do trabalho científico. Propõe, e executa – a leitura do texto, na plataforma colaborativa, é de fato uma experiência extremamente interessante, uma ‘meta-leitura’, na qual o assunto debatido no livro vai sendo instantaneamente atuado conforme os nossos olhos progridem pela tela.

Planned Obsolescence” toca diversos temas muito interessantes, que renderiam vários posts e conversas. Aqui destacamos uma propriedade singular do livro: sua avaliação crítica da metodologia tradicional da publicação acadêmica não se limita ao já cansativo debate “papel versus tela”. Ao contrário, a autora pinça, na diferença entre as duas formas de publicação, aquilo que é de fato o mais importante (e que poucos percebem): a publicação digital pode prescindir de intermediários, colocando o autor em contato direto com o leitor – e, no caso do texto acadêmico, também com o revisor crítico.  As novas formas de construção de texto possibilitadas por essa propriedade são ainda inexploradas, e o projeto Media Commons Press é um caminho de vanguarda muito interessante nesse sentido.

crosswordbig
Imagem de http://mediacommons.futureofthebook.org/

Open Data

Crédito: Naqsh- e Rostam I - Dynamosquito – Flickr 17 de dezembro de 2008
Crédito: Naqsh- e Rostam I – Dynamosquito – Flickr 17 de dezembro de 2008

Como em tantas outras áreas científicas, o campo de Humanidades Digitais também carece de uma padronização em sua terminologia. É relevante pontuar este aspecto pois o debate Maximising the use of public data – should research and publicly acquired data be made more accessible? ocorrido em 10 de julho na Royal Society sobre o tema  Open Data, trouxe à tona um novo termo e um novo conceito, ainda que isso soe demasiadamente clichê.

Como não poderia deixar de ser, esse evento discute um tema em evidência: a disponibilidade de dados. Citando Geoffrey Boulton, Professor Emérito da Universidade de Edinburgo, no evento, é importante que os dados sejam “acessíveis, ‘assessáveis’, inteligíveis e reutilizáveis”, só assim os dados estarão realmente disponíveis, na mais genuína acepção do vocábulo.

O termo novo citado no primeiro parágrafo seria open inovation ‘inovação aberta’ como o quinto paradigma das Humanidades Digitais. É muito importante pontuar que por “abertura”  entende-se uma abrangente disponibilidade, que por sua vez não ameaça o método científico e/ou a ciência.

Seguindo diferentes problemáticas no universo da acessibilidade de dados, as palestras abordam diferentes temas, dentre eles, quais os impactos que os dados causam no fazer científico; como a questão da ética se mostra basilar em se tratando de dados sobre um indivíduo em especial e sobre dados em geral de uma determinada área da ciência; a maneira como se lida com os dados nos dias de hoje; os dados podem ser usados em toda a sua potencialidade apenas quando são inteligíveis; que as fronteiras na área de Humanidades Digitais são fluidas; pois não se trata apenas dos dados em si, mas antes, da real possibilidade de se ter acesso a eles e de utilizá-los efetivamente.

Ao ouvir as falas e ao ler as apresentações em slide do blog de Simon Tanner (http://simon-tanner.blogspot.co.uk), fica evidente, como os próprios palestrantes evidenciam em vários pontos de suas respectivas falas, o foco da discussão não são os dados em si, mas sim a licença e/ou permissão para se utilizá-los, ou seja, é possível pensar que toda a questão orbita no direito de propriedade.

Um último aspecto, polêmico, a destacar, abordado por Simon Tanner em seu post é: como proceder para manter e sustentar permanentemente a efetiva disponibilidade dos dados; ele muito acertadamente pontua que alguns palestrantes não entraram no mérito da questão e outros o fizeram superficialmente.

Steve Juvertson Flickr 13 de fevereiro de 2009
Crédito: Steve Juvertson Flickr 13 de fevereiro de 2009

Veja mais em: http://simon-tanner.blogspot.co.uk/2013/07/uk-government-promotes-open-data-public.html

Análise e visualização de redes: o Gephi

Modelo de visualização por algoritmo  (mais modelos em https://gephi.org/features)
Modelo de visualização em Gelphi por algoritmos múltiplos (mais em https://gephi.org/features)

O desenvolvimento de novas formas de visualização de informações tem sido uma das áreas mais ativas nas humanidades digitais. Já comentamos, aqui no blog, as técnicas de representação textual em nuvens de palavras. Mas entre os projetos voltados para a manipulação de dados históricos, espaciais e textuais, destacam-se os que fazem uso de ferramentas baseadas em grafos para a visualização de redes. Continue lendo “Análise e visualização de redes: o Gephi”