I Seminário Internacional em Humanidades Digitais no Brasil

I Seminário Internacional em Humanidades Digitais no Brasil
I Seminário em Humanidades Digitais no Brasil propõe uma reflexão em torno da relação entre as humanidades e as tecnologias digitais na atualidade, lançando o debate sobre as “Humanidades Digitais” na comunidade de pesquisas brasileira.

Uma iniciativa do Grupo de Pesquisas Humanidades Digitais (HD.br), o Seminário conta com o apoio da Alliance of Digital Humanities Organizations (ADHO), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), e da Pró Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da Universidade de São Paulo (PRCEU).

O evento pretende reunir pesquisadores e interessados em explorar e interrogar a produção, a organização e a difusão da informação no meio digital.

Para isso, o painel de convidados do evento congrega nomes importantes do campo internacional das Humanidades Digitais e membros da comunidade de pesquisa brasileira com projetos nas áreas de formação de bibliotecas digitais, tecnologias de texto e de processamento da linguagem, ou as tecnologias de georeferenciamento aplicadas na área de história, discutindo suas implicações na produção e difusão do conhecimento.

Data: 23, 24 e 25 de outubro

Local: Auditório István Jancsó, Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, Universidade de São Paulo

Inscrições e mais informações em http://seminariohumanidadesdigitais.wordpress.com

A Comissão Organizadora
I Seminário Internacional em Humanidades Digitais no Brasil

humanidadesdigitais@gmail.com

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Oyster – transformando a leitura

Flicker - Fotopedia Vincent Desjardins 06 jul 2010
Flicker – Fotopedia Vincent Desjardins 06 jul 2010

O ambiente digital da atualidade opera transformações em diversos âmbitos e aspectos.  A noção de autoria, por exemplo, dificilmente se verá livre de todas os questionamentos que sobre ela se erigem em praticamente todas as discussões e todos os debates, acadêmicos ou não.

A polêmica em torno dos paradigmas ‘livre’ e ‘aberto’ também promovem acaloradas defesas de pontos de vista. Paralelamente a isso, o conceito de disseminação da informação e da produção de conteúdo encontra inflamados defensores e opositores.

Outras fervilhantes discussões  poderiam ser facilmente apresentadas neste breve introito, no entanto uma específica parece despontar, aquela a que o título da matéria do New Yorker faz referência: O que significa ‘possuir’ um livro? E por ‘possuir’ entenda-se ‘ter como propriedade’.

Essa discussão se desenrola porque foi lançado um aplicativo, Oyster, que permite que a leitura seja feita em conjunto, ou seja, é possível ler um texto em rede e fazer comentários e outros usuários terem acesso a esses comentários on-line e responderem. Uma espécie de rede social literalmente dentro do texto, é como se este engendrasse aquela interação, aquele contato, aquela troca.

Primeiramente questionamentos  –  como: A leitura não é um processo que se realiza em um momento de solidão e reflexão a sós? Cognitivamente o que significa ‘compartilhar’ e ‘compartilhar sem processar impressões e reflexões oriundas da leitura’? e etc – surgem evidenciando todo o potencial de interatividade que a tecnologia oferta e promete, que é muito promissor mas que diluirá fronteiras e processos que edificaram e construíram a maneira de se solidifcar o conhecimento, dentre eles a leitura em voz baixa em ambiente silencioso e reservado. Essa imagem mental se mostra distante e obsoleta, mas não podemos nos esquecer de que esta foi a forma como se instituíram as bases do conhecimento de muitas áreas da ciência. O ambiente da interatividade global é um advento relativamente recente, claro está que havia interatividade com pares da mesma área, mas como hoje ocorre, parece inimaginável há algumas décadas atrás. Especialistas em diferentes momentos de suas carreiras e amadurecimento intelectual interagem incessantemente com leigos, nos mais variados contextos.

É interessante notar que, atualmente, o que parece nortear o desenvolvimento de muitos aplicativos é a interatividade, a interação, a exposição necessária daquilo que se faz. E isso embassa a noção de pertencimento, empréstimo e aquisição pelo fato de que, no caso deste aplicativo, paga-se uma taxa mensal e os usuários podem recomendar e compartilhar livros que estão lendo. Por um lado, todos estão influenciando a leitura de todos, sendo que segundo a matéria, esse aplicativo não foi elaborado para quem não estiver interessado nesse compartilhamento. Por outro lado, a circulação de ideias e conhecimento adquirirá uma dinâmica nunca antes imaginada. Assim como a leitura.

Considerando principalmente o quanto a noção de conteúdo passível de ser disseminado também sofrerá transformações em seus paradigmas definitórios, interessante serão futuras pesquisas sobre memória e recepção.

Em um mundo, que durante muito tempo, se definiu por suas fronteiras, barreiras e singularidades, hoje é possível ter a impressão de que isso se diluirá até que passe a não mais existir, pelo menos no plano da interatividade em ambiente digital.

Flicker Nomadic Lass 04 fev 2012
Flicker Nomadic Lass 04 fev 2012

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Veja mais em: http://www.newyorker.com/online/blogs/books/2013/09/oyster-iphone-app-ereader-what-does-it-mean-to-own-a-book.html

ReCaptcha

Flickr - Chritopher Thompson - 17 de agosto de 2011
Flickr – Christopher Thompson – 17 de agosto de 2011

Por mais difícil que seja concretizar tal projeto, digitalizar livros se transformou em uma verdadeira demanda nos dias de hoje, que precisa ser rapida e eficientemente atendida, pelos mais variados motivos e razões.

Como dar conta de um projeto de dimensões hercúleas como esse? Como digitalizar acervos inteiros de bibliotecas, universidades, institutos públicos e privados, coleções particulares e etc? Claro está que haverá poucos problemas em digitalizar livros novos, reeditados recentemente, que por questões de direitos autorais, não poderão ter seu conteúdo plenamente divulgado em sua totalidade. A questão recai, então, sobre livros e materiais antigos, muitas vezes raros, de difícil leitura, não contemplados pelas leis de direitos autorais. Esses, sim, irão compor a grande massa de conteúdo digitalizado disponível na internet.  Entretanto é preciso considerar que a legibilidade dos suportes muito antigos é perturbadoramente variável, o que por certo trará diversos problemas para a digitalização de seus conteúdos.

É, justamente nesse ponto que o ReCaptcha se mostra verdadeiramente necessário nesse processo da digitalização de conteúdos. Isso se deve pelo fato de que inúmeras instituições – públicas e privadas – se depararam com essa nova demanda e com todas as especificidades que estas em geral têm.

Por meio de um inteligente mecanismo, usuários são capazes de realizar com êxito uma determinada operação que os computadores sem ajuda humana, até o momento, não são capazes de realizar. Essa etapa é melhor explicada no vídeo que se pode ver na matéria cujo link consta ao final desta página.

Tão instigante quanto essa nova demanda pela digitalização é justamente a possibilidade de se desenvolverem programas  que agilizem cada vez mais tarefas desmesuradamente volumosas como essa. Além disso, ferramentas como o ReCaptcha evidenciam que a digitalização de livros e conteúdos se estabelece firmemente como uma nova necessidade que sempre existiu mas que apenas nos dias de hoje nos vislumbra uma real possibilidade de satisfazê-la.

Ver mais em:

http://br.noticias.yahoo.com/blogs/vi-na-internet/como-o-captcha-que-voc%C3%AA-digita-na-internet-010003611.html