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Manuscritos do Timbuktu – a escrita enquanto técnica perene

Fonte: http://www.loc.gov/exhibits/mali/mali-exhibit.html
Ahmad Baba ibn Ahmad ibn Umar ibn Muhammad
Aqit al-Tumbukti.
Miraj al-Suud ila nayl Majlub al-Sudan
(Ahmad Baba Answers a Moroccan’s
Questions about Slavery).
Mamma Haidara Commemorative Library, Timbuktu, Mali (6)

A aura que envolve os manuscritos, sejam eles de que época forem, parece nunca se desvanecer. E mesmo na Era da Digitalização tudo leva a crer que essa aura se mantém. Bem, não é para menos, pois através dos manuscritos é possível ter acesso a informações ou contextos inalcançáveis. O que mais chama a atenção é que parece haver uma espécie de movimento recente, empenhado em reafirmar que apesar de estarmos entrando em um período em que se utilizará cada vez menos a escrita manuscrita – eles, os manuscritos, estão ocupando reconhecido lugar de destaque – considerando que uma verdadeira leva em diferentes instituições e localidades tem sido sistematicamente digitalizada há algum tempo.

O que se mostra como uma interessante e inovadora oportunidade de se ter acesso a épocas passadas, recontadas conforme o momento em que foram “publicadas”. Como  como já dizia Wallerstein, “o passado muda porque resulta de nossa imaginação presente” e fica claro que os manuscritos têm o papel de reavivar a memória coletiva e fazer lembrar que o presente, sempre que necessário e conveniente, muda suas conclusões a respeito de tempos pretéritos.  Exemplos clássicos seriam a Espanha Islâmica e a existência de um passado cultural escrito na África, uma vez que se acreditava que tivesse sido estritamente oral. Já a Espanha Islâmica se configura como um verdadeiro tabu quando consideramos aspectos históricos determinantes entre Ocidente e Oriente, aspectos esses raramente tangenciados na atualidade: um passado intelectual árabe construído sobre os território ibérico e africano.

Fonte: http://www.loc.gov/exhibits/mali/mali-exhibit.html
Sayyid Ahmad ibn Amar al-Raqadi al-Tumbukti al-Kunti.
Shifa’ al-Asqam al-Aridah fi al-Zahir wa-al-Batin min al-Ajsam
(Curing Diseases and Defects both Apparent and Hidden).
Mamma Haidara Commemorative Library, Timbuktu, Mali (16)

Uma matéria recente no site da revista IstoÉ Independente nos aponta essa problemática. Enfatiza também alguns truques necessários e aborda algumas etapas envolvidas para se preservar uma obra tão valiosa como essa.

Evidentemente o simples fato de esses manuscritos existirem corrobora uma verdade inconveniente: a construção do conhecimento no Ocidente simplesmente ignorou a existência de outras formas de saber. Tão concentrado estava o Ocidente em perpetuar a própria memória – a qual veio a se tornar uma espécie de patrimônio do Ocidente – como se esse mesmo Ocidente não tivesse se formado em raízes e bases do Oriente.

De maneira que, o contato com esses manuscritos e com toda essa nova realidade inerente que carregam consigo evidencia que o campo das Humanidades Digitais, profícuo em ocasiões como essa – preservação e armazenamento de documentos raros e antigos – mostra ser a alternativa por excelência para coadunar esse contexto que se corporifica e que é ingênuo chamar de novo: a digitalização de incunábulos e alfarrábios.

al-Qadi Muhammad ibn al-Imam Uthman al-Wakari al-Tumbukti,  Sharh 'ala Amthilat al-Fara'id  (Commentary on the work Examples of Law).  Mamma Haidara Commemorative Library, Timbuktu, Mali (3)
al-Qadi Muhammad ibn al-Imam
Uthman al-Wakari al-Tumbukti,
Sharh ‘ala Amthilat al-Fara’id
(Commentary on the work Examples of Law).
Mamma Haidara Commemorative Library, Timbuktu, Mali (3)

O campo das Humanindades Digitais, inútil dizer vastíssimo, tem e terá, cada vez mais, infinitos objetivos, entretanto, digitalizar manuscritos parece ser, pelo menos para os estudiosos da área, evidentemente, O objetivo. Pelo simples fato de que existe uma perspectiva pouco explorada na transmissão do conhecimento que é a perspectiva política, como essa notícia sobre os Manuscritos de Timbuktu demonstra tão bem, ou seja, não é mais possível negar ou ignorar que existe uma espécie de disseminação ideológica na transmissão do conhecimento.

Talvez seja um pouco cedo para considerar, no entanto, também não se pode ignorar o fato de que uma espécie de novo paradigma se define, ou seja, apesar da revolução tecnológica moldar e transformar a trajetória da escrita manuscrita, seus usos e sua relevância, os próprios manuscritos em si não perderam o poder que têm: o de imortalizar fatos e dados incorpóreos, e portanto atualizados e adulterados conforme a época que os revela, em suporte passível de ser recuperado, da maneira como foram originalmente concebidos.


Créditos das imagens – Exposição virtual da Biblioteca de Mali:

http://www.loc.gov/exhibits/mali/mali-exhibit.html

Veja mais em:

http://www.istoe.com.br/reportagens/281513_O+INCRIVEL+RESGATE+DAS+BIBLIOTECAS+DO+MALI?pathImagens&path&actualArea=internalPage

“The Private Lives of Medieval Kings” | BBC – Documentário

Documentários sempre existiram, é verdade, mas nunca imaginei que pudesse conectá-los diretamente ao campo das Humanidades Digitais. Não pelos temas, pois evidentemente existe uma infinidade de documentários sobre os mais variados assuntos, e por essa ótica, milhares deles poderiam fazer parte deste blog. Continuar lendo “The Private Lives of Medieval Kings” | BBC – Documentário

“Exhibition Review: Royal Manuscripts at the British Library” | History Today

Exhibition Review: Royal Manuscripts at the British Library
History Today,
Sheila Corr,
07/12/2011


“In 1757 George II gave around 2,000 of his manuscripts to the British nation. More than half of these were decorated, or partially decorated, and 150 of the most splendidly illuminated examples are on display at the British Library until March 2012 in Royal Manuscripts: The Genius of IlluminationContinuar lendo “Exhibition Review: Royal Manuscripts at the British Library” | History Today