British Library – Podcast (Digital Conversations: The Scholarly Use of Web Archives)

Pensar em todos os possíveis usos de arquivos digitalizados é sobretudo considerar o uso acadêmico de arquivos digitalizados.  

Nesse podcast, que se baseia em um seminário na British Library, uma série de interessantes questões e observações são levantadas, como por exemplo: a importância de se estruturar arquivos na internet pelo fato de se precisar preservar informações que podem se alterar a qualquer momento sem uma programação preestabelecida para isso.

Outro relevante ponto suscitado: as mudanças nos algoritmos podem influenciar a relevância dos elementos nas buscas, na estruturação das informações nos arquivos na internet, o que pode sempre influenciar os resultados obtidos nas buscas. Esse aspecto está diretamente relacionado ao perigo de se criar arquivos ‘mortos’, pouco visitados, o que ocorre com certa frequência nos dias de hoje.

Paralelamente a todas essas questões, alguns fatos interessantes foram apresentados, como por exemplo: a China é o país do mundo em que as pessoas acessam a internet com maior frequência para ler e pesquisar sobre literatura em comparação àquelas que acessam para fazer compras, este é um fenômeno recente desta década e se mostra como um dado muito revelador de como funciona esse processo naquele país.

Comentando essas e muitas outras questões, podemos ouvir os palestrantes: David Gauntlett (Mídia e Communicações – Universidade de Westminster) com  contribuições de Richard Rogers (New Media e Cultura, Media Studies – Universidade de Amsterdam), Niels Brügger (Internet Studies – Aarhus Universidade, Dinamarca), Helen Hockx-Yu (Web Archiving – British Library), David Berry (Digital Media  – Universidade de Sussex) e Michel Hockx, (Professor de Chinês em SOAS – Universidade de Londres).

 

Brewbooks - British Library - Inglaterra em 01 de junho de 2006
British Museum Reading Room – Brewbooks – British Library – Inglaterra em 01 de junho de 2006

 

Veja mais em – Digital Conversations: The Scholarly Use of Web Archives

 

 

Descobertas & Inovações

Por Bruna Baldini de Miranda

Apesar de distantes no tempo, as duas notícias abordadas neste post parecem sinalizar que algumas mudanças no campo das Humanidades Digitais vem acontecendo. Um necessário distanciamento entre ambas demonstra que, em certa medida, chegam, até mesmo,  a se complementar. Ao que tudo indica, neste primeiro artigo presente no site do Max-Planck-Gesellschft, as próximas notícias sobre Humanidades Digitais serão escritas com outras tintas e outras fontes. Este interessantíssimo artigo  postula uma nova descoberta nos sistemas digitais. Muitos de nós talvez pensem que toda a estruturação em meio digital ocorra pura e simplesmente a partir de uma combinação entre os números ‘0’ e ‘1’, mas de acordo com a pesquisa desenvolvida no instituto – Max-Planck-Instituts für Dynamik und Selbstorganisation em Göttingen – se trata de um novo modelo para o processamento de informação, mais conhecida como complex network computer. Segundo Marc Timmer, responsável pelas pesquisas, este novo modelo é capaz de processar informações através de um sistema oscilatório. Continue lendo “Descobertas & Inovações”

Oyster – transformando a leitura

Flicker - Fotopedia Vincent Desjardins 06 jul 2010
Flicker – Fotopedia Vincent Desjardins 06 jul 2010

O ambiente digital da atualidade opera transformações em diversos âmbitos e aspectos.  A noção de autoria, por exemplo, dificilmente se verá livre de todas os questionamentos que sobre ela se erigem em praticamente todas as discussões e todos os debates, acadêmicos ou não.

A polêmica em torno dos paradigmas ‘livre’ e ‘aberto’ também promovem acaloradas defesas de pontos de vista. Paralelamente a isso, o conceito de disseminação da informação e da produção de conteúdo encontra inflamados defensores e opositores.

Outras fervilhantes discussões  poderiam ser facilmente apresentadas neste breve introito, no entanto uma específica parece despontar, aquela a que o título da matéria do New Yorker faz referência: O que significa ‘possuir’ um livro? E por ‘possuir’ entenda-se ‘ter como propriedade’.

Essa discussão se desenrola porque foi lançado um aplicativo, Oyster, que permite que a leitura seja feita em conjunto, ou seja, é possível ler um texto em rede e fazer comentários e outros usuários terem acesso a esses comentários on-line e responderem. Uma espécie de rede social literalmente dentro do texto, é como se este engendrasse aquela interação, aquele contato, aquela troca.

Primeiramente questionamentos  –  como: A leitura não é um processo que se realiza em um momento de solidão e reflexão a sós? Cognitivamente o que significa ‘compartilhar’ e ‘compartilhar sem processar impressões e reflexões oriundas da leitura’? e etc – surgem evidenciando todo o potencial de interatividade que a tecnologia oferta e promete, que é muito promissor mas que diluirá fronteiras e processos que edificaram e construíram a maneira de se solidifcar o conhecimento, dentre eles a leitura em voz baixa em ambiente silencioso e reservado. Essa imagem mental se mostra distante e obsoleta, mas não podemos nos esquecer de que esta foi a forma como se instituíram as bases do conhecimento de muitas áreas da ciência. O ambiente da interatividade global é um advento relativamente recente, claro está que havia interatividade com pares da mesma área, mas como hoje ocorre, parece inimaginável há algumas décadas atrás. Especialistas em diferentes momentos de suas carreiras e amadurecimento intelectual interagem incessantemente com leigos, nos mais variados contextos.

É interessante notar que, atualmente, o que parece nortear o desenvolvimento de muitos aplicativos é a interatividade, a interação, a exposição necessária daquilo que se faz. E isso embassa a noção de pertencimento, empréstimo e aquisição pelo fato de que, no caso deste aplicativo, paga-se uma taxa mensal e os usuários podem recomendar e compartilhar livros que estão lendo. Por um lado, todos estão influenciando a leitura de todos, sendo que segundo a matéria, esse aplicativo não foi elaborado para quem não estiver interessado nesse compartilhamento. Por outro lado, a circulação de ideias e conhecimento adquirirá uma dinâmica nunca antes imaginada. Assim como a leitura.

Considerando principalmente o quanto a noção de conteúdo passível de ser disseminado também sofrerá transformações em seus paradigmas definitórios, interessante serão futuras pesquisas sobre memória e recepção.

Em um mundo, que durante muito tempo, se definiu por suas fronteiras, barreiras e singularidades, hoje é possível ter a impressão de que isso se diluirá até que passe a não mais existir, pelo menos no plano da interatividade em ambiente digital.

Flicker Nomadic Lass 04 fev 2012
Flicker Nomadic Lass 04 fev 2012

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Veja mais em: http://www.newyorker.com/online/blogs/books/2013/09/oyster-iphone-app-ereader-what-does-it-mean-to-own-a-book.html

ReCaptcha

Flickr - Chritopher Thompson - 17 de agosto de 2011
Flickr – Christopher Thompson – 17 de agosto de 2011

Por mais difícil que seja concretizar tal projeto, digitalizar livros se transformou em uma verdadeira demanda nos dias de hoje, que precisa ser rapida e eficientemente atendida, pelos mais variados motivos e razões.

Como dar conta de um projeto de dimensões hercúleas como esse? Como digitalizar acervos inteiros de bibliotecas, universidades, institutos públicos e privados, coleções particulares e etc? Claro está que haverá poucos problemas em digitalizar livros novos, reeditados recentemente, que por questões de direitos autorais, não poderão ter seu conteúdo plenamente divulgado em sua totalidade. A questão recai, então, sobre livros e materiais antigos, muitas vezes raros, de difícil leitura, não contemplados pelas leis de direitos autorais. Esses, sim, irão compor a grande massa de conteúdo digitalizado disponível na internet.  Entretanto é preciso considerar que a legibilidade dos suportes muito antigos é perturbadoramente variável, o que por certo trará diversos problemas para a digitalização de seus conteúdos.

É, justamente nesse ponto que o ReCaptcha se mostra verdadeiramente necessário nesse processo da digitalização de conteúdos. Isso se deve pelo fato de que inúmeras instituições – públicas e privadas – se depararam com essa nova demanda e com todas as especificidades que estas em geral têm.

Por meio de um inteligente mecanismo, usuários são capazes de realizar com êxito uma determinada operação que os computadores sem ajuda humana, até o momento, não são capazes de realizar. Essa etapa é melhor explicada no vídeo que se pode ver na matéria cujo link consta ao final desta página.

Tão instigante quanto essa nova demanda pela digitalização é justamente a possibilidade de se desenvolverem programas  que agilizem cada vez mais tarefas desmesuradamente volumosas como essa. Além disso, ferramentas como o ReCaptcha evidenciam que a digitalização de livros e conteúdos se estabelece firmemente como uma nova necessidade que sempre existiu mas que apenas nos dias de hoje nos vislumbra uma real possibilidade de satisfazê-la.

Ver mais em:

http://br.noticias.yahoo.com/blogs/vi-na-internet/como-o-captcha-que-voc%C3%AA-digita-na-internet-010003611.html

Open Data

Crédito: Naqsh- e Rostam I - Dynamosquito – Flickr 17 de dezembro de 2008
Crédito: Naqsh- e Rostam I – Dynamosquito – Flickr 17 de dezembro de 2008

Como em tantas outras áreas científicas, o campo de Humanidades Digitais também carece de uma padronização em sua terminologia. É relevante pontuar este aspecto pois o debate Maximising the use of public data – should research and publicly acquired data be made more accessible? ocorrido em 10 de julho na Royal Society sobre o tema  Open Data, trouxe à tona um novo termo e um novo conceito, ainda que isso soe demasiadamente clichê.

Como não poderia deixar de ser, esse evento discute um tema em evidência: a disponibilidade de dados. Citando Geoffrey Boulton, Professor Emérito da Universidade de Edinburgo, no evento, é importante que os dados sejam “acessíveis, ‘assessáveis’, inteligíveis e reutilizáveis”, só assim os dados estarão realmente disponíveis, na mais genuína acepção do vocábulo.

O termo novo citado no primeiro parágrafo seria open inovation ‘inovação aberta’ como o quinto paradigma das Humanidades Digitais. É muito importante pontuar que por “abertura”  entende-se uma abrangente disponibilidade, que por sua vez não ameaça o método científico e/ou a ciência.

Seguindo diferentes problemáticas no universo da acessibilidade de dados, as palestras abordam diferentes temas, dentre eles, quais os impactos que os dados causam no fazer científico; como a questão da ética se mostra basilar em se tratando de dados sobre um indivíduo em especial e sobre dados em geral de uma determinada área da ciência; a maneira como se lida com os dados nos dias de hoje; os dados podem ser usados em toda a sua potencialidade apenas quando são inteligíveis; que as fronteiras na área de Humanidades Digitais são fluidas; pois não se trata apenas dos dados em si, mas antes, da real possibilidade de se ter acesso a eles e de utilizá-los efetivamente.

Ao ouvir as falas e ao ler as apresentações em slide do blog de Simon Tanner (http://simon-tanner.blogspot.co.uk), fica evidente, como os próprios palestrantes evidenciam em vários pontos de suas respectivas falas, o foco da discussão não são os dados em si, mas sim a licença e/ou permissão para se utilizá-los, ou seja, é possível pensar que toda a questão orbita no direito de propriedade.

Um último aspecto, polêmico, a destacar, abordado por Simon Tanner em seu post é: como proceder para manter e sustentar permanentemente a efetiva disponibilidade dos dados; ele muito acertadamente pontua que alguns palestrantes não entraram no mérito da questão e outros o fizeram superficialmente.

Steve Juvertson Flickr 13 de fevereiro de 2009
Crédito: Steve Juvertson Flickr 13 de fevereiro de 2009

Veja mais em: http://simon-tanner.blogspot.co.uk/2013/07/uk-government-promotes-open-data-public.html

Expedição Langsdorff na Brasiliana Digital

Tatuagem tradicional de habitante de Nukuhiwa. Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin - USP, acesso em 03-julho-2013
Tatuagem tradicional de habitante de Nukuhiwa. Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin – USP, acesso em 03-julho-2013

Como parte dos nossos projetos na área de tradução – alemão, a Brasiliana USP colocou no ar, recentemente, a produção publicada em 1812 e 1821 acerca das viagens filosóficas realizadas no período. É importante pontuar que tais viagens não ocorreram apenas em solo brasileiro:  “De volta à Europa, Langsdorff publicou dois volumes chamados Bemerkungen auf einer Reise um die Welt in den Jahren 1803 bis 1807 (Notas sobre uma viagem ao redor do mundo nos anos 1803-1807), títulos ilustrados pelo próprio autor, que tratam da fauna, flora e da etnografia da Califórnia, Havaí, Alaska, Nukuhiwa, ilhas do Pacífico, península do Kamtchatka e Japão. Em 1813 se mudou para o Brasil como Ministro Plenipotenciário Fedor Pahlen e assumiu o Consulado Geral da Rússia no Brasil. Em 1816, o barão de Langsdorff compra, no atual estado do Rio de Janeiro, a Fazenda da Mandioca, estadia obrigatória de diversos cientistas e naturalistas europeus que estiveram no Brasil nas primeiras décadas do século XIX e aí organizaram diversas expedições, entre os quais destacamos Spix e Martius, John Luccock, Emmanuel Pohl, Maximilian zu Wied-Neuwied, Saint-Hilaire e Friedrich Sellow”.

“A Expedição Langsdorff apresentou um caráter diferenciado em relação a outras expedições que percorreram o Brasil, pois além de estudar a flora e a fauna do país, os expedicionários dedicaram-se a pesquisar a etnografia e os idiomas das tribos brasileiras. A viagem foi custeada pelo czar Alexandre I da Rússia, país que buscava se igualar em importância às outras potências europeias no campo dos conhecimentos científicos. O barão reuniu, ao todo, 39 pessoas para a expedição e entre elas integraram o grupo artistas renomados, como os pintores Johann Moritz Rugendas, Hércules Florence e Aimé-Adrien Taunay, cujas reproduções da flora, da fauna e dos nativos brasileiros impressionaram a todos pelo rigor descritivo e pela beleza representada. O astrônomo Nestor Rubtsoz, o botânico Ludwig Ridel, e o naturalista Wilhelm Freyreiss também compunham esta equipe e muitas das espécies de plantas coletadas por Riedel foram expostas pela primeira vez na Flora Brasiliensis do botânico Carl Friedrich Philipp von Martius. A expedição teve como ponto de partida a província de Minas Gerais e depois rumou para o Brasil Central, seguindo por rio de São Paulo a Cuiabá, tomando, a partir daí, a direção norte, explorando a Amazônia e as cabeceiras e leito do rio Orenoco. Em 1825, a equipe saiu do Rio de Janeiro para Porto Feliz, na província de São Paulo em direção a Cuiabá….” . O artigo completo de Luciana de Fátima Candido está na Brasiliana Digital.

Curadoria de Conteúdo

David King  Flickr  26 de agosto de 2006
David King
Flickr
26 de agosto de 2006

“Dar visibilidade ao acervo digitalizado da Funarte, criando conteúdos que contextualizem, valorizem e reflitam sobre o que está sob a guarda da instituição – alargando nossa visão sobre a produção cultural brasileira e valorizando nossa memória – são alguns dos objetivos do Portal das Artes, nesta área inteiramente dedicada ao Projeto Brasil Memória das Artes, de digitalização e difusão de acervo.”

Leia mais em: http://www.funarte.gov.br/brasilmemoriadasartes/acervo/o-projeto/por-dentro-da-memoria/. Acesso em 13 de maio de 2013.

Fusão e Difusão

Celebrity Solstice. Atrium. Foyer. Library. Card Room Tom Mascaro  Flickr  25/janeiro/2009
Celebrity Solstice – Atrium. Foyer. Library. Card Room. Tom Mascaro, Flickr, 25/janeiro/2009

“E se pudesse ver conteúdos extra e multimédia enquanto folheia o seu livro de papel? Uma equipa da Universidade do Minho criou um projeto inovador que faz essa fusão entre o livro eletrónico e o livro físico. O projeto ‘Bridging Book’ vai ser exibido na maior conferência internacional da área, a CHI 2013, que decorre na próxima semana em Paris.” (http://boasnoticias.sapo.pt/noticias_UMinho-faz-a-fus%C3%A3o-entre-ebook-e-livro-f%C3%ADsico_15455.html – acesso em 03/maio/2013)

Leia mais:

http://chi2013.acm.org/

http://www.engagelab.org/

Lançamento da DPLA !

“No dia 18 de abril será lançada a Digital Public Library of America (DPLA), um projeto que tem como objetivo disponibilizar os acervos de arquivos, bibliotecas e museus dos Estados Unidos da América para todo o mundo. Leia abaixo a tradução do artigo que Robert Darnton publicou na New York Review of Books. Temos autorização para mantê-lo on-line em nosso site até o dia 28 de abril.” – Leia mais no site da Brasiliana USP ; acesse aqui a DPLA – http://dp.la/

Ilustração: Brasiliana USP

 

Digitalização e Cinema

Bette Davies 1931 - Foto Luiz Fernando Reis/Sonia Maria. Fonte: Flickr em 18-07-2011
Bette Davies 1931 – Foto Luiz Fernando Reis/Sonia Maria. Fonte: Flickr em 18-07-2011

“Martin Koerber dirige, desde 2007, o Arquivo da Cinemateca Alemã – Museu de Cinema e Televisão, em Berlim. Em entrevista, ele fala sobre a importância da digitalização para seu trabalho.

Na função de diretor do Arquivo Cinematográfico, você vivencia no momento, de perto, uma mudança de paradigmas, ou seja, a transição da era do cinema analógico para a do cinema digital. Como isso modificou a essência de seu trabalho nos últimos anos?”

Andreas Busche, especialista em restaurações cinematográficas, entrevista Martin Koerber, diretor do Arquivo da Cinemateca Alemã – Museu de Cinema e Televisão, em Berlim.

Fonte: Goethe-Institut e. V., Internet-Redaktion
Março de 2013

Veja mais em: http://www.goethe.de/ins/br/lp/kul/dub/flm/pt10740851.htm

Manuscritos do Timbuktu – a escrita enquanto técnica perene

Por Bruna Baldini de Miranda

A aura que envolve os manuscritos, sejam eles de que época forem, parece nunca se desvanecer. E mesmo na Era da Digitalização tudo leva a crer que essa aura se mantém. Bem, não é para menos, pois através dos manuscritos é possível ter acesso a informações ou contextos inalcançáveis. O que mais chama a atenção é que parece haver uma espécie de movimento recente, empenhado em reafirmar que apesar de estarmos entrando em um período em que se utilizará cada vez menos a escrita manuscrita – eles, os manuscritos, estão ocupando reconhecido lugar de destaque – considerando que uma verdadeira leva em diferentes instituições e localidades tem sido sistematicamente digitalizada há algum tempo. Continue lendo “Manuscritos do Timbuktu – a escrita enquanto técnica perene”

Inauguração da Biblioteca Mindlin

O edifício, projetado pelos arquitetos Eduardo de Almeida e Rodrigo Mindlin Loeb, está preparado para receber pesquisadores e visitantes, assim como abrigar exposições, eventos e outras atividades acadêmicas e culturais.

Tudo isto foi possível a partir da doação da coleção brasiliana de Guita, José e seus filhos (Betty, Diana, Sérgio e Sônia), da dedicação e ousadia do professor István Jancsó, do apoio seguro da Reitoria da USP e da confiança de diversos patrocinadores e parceiros: Fundação Lampadia, BNDES, Petrobras, CBMM, CSN, Votorantim, Telefônica (Vivo), Suzano, Santander, Natura, Cosan, Raízen, CPFL e o senador Eduardo Suplicy.

Ao longo destes anos, muitos se envolveram nesta jornada e merecem todos os créditos por termos realizado este sonho de José Mindlin. Que é um sonho de todos nós. Podemos, agora, dar início a uma nova fase da Biblioteca Mindlin, sempre aberta, sempre atenta ao presente e ao futuro, sempre disposta ao diálogo e à produção do conhecimento.

Duas exposições serão inauguradas e poderão ser visitadas pelo público (gratuitamente) a partir do dia 25 de março. Ambas são uma realização do Instituto Brasiliana e foram patrocinadas pelo BNDES e pela Petrobras, por meio de incentivo fiscal (Ministério da Cultura).

“Não faço nada sem alegria” é uma exposição de longa duração com painéis, fotos e vídeos sobre a vida de Guita e José, a formação do acervo da Biblioteca, a construção do edifício, a cultura do livro, a história da imprensa e o prazer da leitura.

“Destaques da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin” é uma mostra de cerca de cem títulos da coleção que estarão expostos até 28 de junho. É uma oportunidade para ver de perto alguns dos itens mais valiosos e importantes da brasiliana Mindlin.

O atendimento aos pesquisadores será feito a partir do dia 02 de abril, inicialmente apenas no período da tarde. Pedimos antecipadamente desculpas por este inconveniente, mas estamos ainda formando uma equipe e organizando os procedimentos para melhor atender o público, incluindo, em breve, a disponibilização do catálogo da Biblioteca Mindlin no Catálogo Geral da USP – Dedalus. Assim, solicitamos o agendamento prévio das visitas de pesquisa ao acervo, que poderá ser feito através do email brasiliana@usp.br. (http://www.brasiliana.usp.br/node/1064. Acesso em 22-3-2013)

Políticas das questões

http://dp.la/info/about/history/

O projeto da Biblioteca Pública Digital Americana (ou DPLA, sigla para Digital Public Library of America) irá estabelecer, uma vez implantado,  novos paradigmas para a digitalização de acervos públicos.

Esta e algumas outras questões relevantes se colocam durante a entrevista concedida por Robert Darnton – diretor da Biblioteca da Universidade de Harvard –  ao jornal Folha de São Paulo.

A questão do estabelecimento de novos paradigmas, ainda que não seja o principal aspecto abordado na entrevista, pode determinar decisivamente como o acesso ocorrerá na prática. Entretanto, o que mais chama a atenção nessa entrevista é a forma como o projeto DPLA se realizará, ou seja, que políticas públicas serão adotadas para concatenar questões como direito autoral, digitalização, disponibilização de acervo e etc.

Outra questão que a entrevista levanta é a oposição que ocorrerá entre os projetos Google Books e o DPLA, uma vez que o primeiro projeto é voltado para o lucro e o segundo, não – ou seja, em outras palavras esses dois projetos representarão faces opostas em um mesmo contexto: disponibilização e acesso em acervos digitais.

É evidente que a entrevista suscita uma série de considerações, dentre outras, esta especificamente nos encaminha a uma interessante conclusão, ainda que não mencione a problemática: a necessidade urgente de uma espécie de curadoria de conteúdos para os acervos digitalizados.

A digitalização de inúmeros acervos residentes em uma infinidade de instituições exige uma espécie de curadoria, não a mesma que se aplicaria a exposições físicas e também não a mesma classificação de uma biblioteca e/ou instituição. A profusão de informações a que é possível se ter acesso na internet se assemlha muito a um turbilhão. De modo que algum tipo de curadoria, que não só contextualizasse as informações, mas também as abrigasse sob eficazes eixos temáticos, se torna absolutamente necessário.

Entretanto, a problemática que não se delineia é justamente essa voltada à perspectiva da curadoria em acervos digitalizados. Uma operação interessante seria realmente estabelecer eixos temáticos entre os vários títulos e materiais (mapas e etc.) digitalizados. Além disso, o ideal seria estabelecer diálogos entre diferentes acervos, pois é de conhecimento geral que diferentes edições de uma mesma obra se encontram em diferentes acervos. Uma interessante e necessária vertente de pesquisa que se delineia é a de estudar e avaliar como foram catalogados e digitalizados esses materiais que representam diferentes faces de um mesmo evento/fato/acontecimento.

No limite, é sempre necessário manter no horizonte que ao final da digitalização do acervo, a etapa final – pensando na disseminação do conhecimento e no espalhamento das informações – na verdade ocorrerá apenas quando o usuário delas fizer uso. Portanto se configura como de extrema relevância a maneira/forma como se digitalizou e se catalogou aquela determinada informação e/ou conteúdo. Por essa razão a opção de se estruturar eixos temáticos se coloca como necessária ao fluxograma da digitalização, enquanto processo.

Como a própria entrevista acima sugere, existem muitos envolvidos nesse grandioso projeto, fruto da iniciativa de instituições privadas; e este é justamente o ponto crucial: a gestão por parte de instituições privadas da digitalização de acervos públicos, operação que trará decisivas e desconhecidas consequências, que também se configurarão como uma outra interessante perspectiva para se analisar e compreender o acervo digitalizado e, prinicipalmente, a maneira como será disponibilizado; além disso, sobretudo, sem esquecer como o conteúdo nele contido será publicado na rede mundial. Entende-se que toda e qualquer circusntância, nesse contexto, representa inovadores e originais desdobramentos para o projeto como um todo.

Sem dúvida o Projeto DPLA é ansiosamente aguardado, entretanto, também serão esses tais previsíveis e inimagináveis desdobramentos.

Veja mais em:

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/1231427-o-acervo-digital-dos-estados-unidos-vem-ai.shtml

Imagem destacada:

DPLA, http://dp.la/info/about/history/