Abertura da Exposição ‘500 anos de alemães no Brasil’

Fala de José da Silva Simões
na abertura da Exposição 500 anos de alemães no Brasil,
na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin,
em 07/05/2014

Imagem de MARTIUS, Carl Friedrich Philipp von - Nova genera et especies plantarum, 1824. vol. 2.
Imagem de MARTIUS, Carl Friedrich Philipp von.
Nova genera et especies plantarum, 1824. vol. 2.
Acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, USP.

Em uma época em que as palavras escritas parecem ser efêmeras, parece surpreendente que continuemos a nos dedicar aos livros.

Parece estranho colecionar palavras encerradas em arcas, que à distância parecem um revestimento de parede inerte, estático, insólito, obscuro. Em minha carreira de leitor o fascínio por essas arcas mágicas sempre me mostrou que elas tinham vida. Sei que esse fascínio é comum a muitos de nós que nos reunimos aqui para celebrar o registro da memória. Como professor de crianças e adolescentes durante duas décadas, muitas vezes tive a felicidade de ver esse mesmo fascínio nos olhos de meus alunos, investigando-os como objetos inicialmente inertes e obscuros, mas transformando-se em borboletas coloridas como aquelas ali de Carl Friederich Philipp von Martius, tão logo os abriam para a leitura curiosa.

Hoje eu tenho a honra de ajudar a exibir aqui uma preciosa coleção de olhares sobre o nosso país. As imagens que veremos nesta exposição são como um espelho de nós mesmos. Estão apenas emolduradas pelos amigos de outras terras que nos visitaram e que desde o princípio insistiram em dizer que esse país era uma história verdadeira. Ontem, durante a montagem da exposição, dei-me conta de que os três primeiros livros que estão na entrada da exposição, de Hans Staden, Sebastian Franck e Ulrich Schmidel têm o mesmo adjetivo em seu título: wahrhaftige Historia, wahrhaftige Beschreibungen, warhafftige und liebliche Beschreibung… Deve ter sido um protocolo quinhentista insistir que o que ali se narra não é ficção, mas sim a pura e fascinante realidade do que éramos e do que ainda somos. Imagino que ler Hans Staden no século XVI precisasse mesmo da chancela do gênero jornalístico da época, era preciso acentuar que aquilo tudo era verdadeiro e não obra da imaginação de um viajante enlouquecido.

MARTIUS, Carl Friedrich Philipp von - Beitrãge zur Ethnographie und Sprachenkunde Amerika’s zumal Brasiliens, 1867. vol. 1.
Imagem de MARTIUS, Carl Friedrich Philipp von.
Beitrãge zur Ethnographie und Sprachenkunde Amerika’s zumal Brasiliens, 1867. vol. 1.
Acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, USP.

Isso tudo que digo não teria sentido se eu não lembrasse aqui quem nos permite hoje o prazer de ver tantas verdades reunidas: o Dr. José Mindlin e sua esposa, Sra. Guita Mindlin, aqui representados por sua família, as senhoras Betty Mindlin, Diana Mindlin e Sonia Mindlin e o Sr. Sérgio Ephim Mindin. Nem preciso dizer o quanto gostaríamos que eles estivessem aqui para ver como dispusemos algumas de suas preciosidades, como reorientamos o olhar que estes livros atraem, como eles fazem sentido de conjunto assim alinhados. É como uma brincadeira infantil de dispor todos os impressos que temos em casa como uma pequena feira de livros: a velha estratégia de ler um livro por suas imagens ou de atrair leitores pelo lúdico que lhes é próprio. Esta universidade tem um dívida impagável com a família Mindlin e fico contente que o produto dessa dívida sejam peças tão preciosas. Se não me engano e se não aprendi errado a lição, quando deixamos de ser colônia de Portugal, creio que uma das primeiras dívidas externas do Brasil foi uma lista interminável de preciosíssimos livros que hoje vivem na nossa riquíssima Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Que dívida linda!

E por falar em dívida, não posso deixar aqui de pagar o meu soldo àqueles que nos inspiraram a rearranjar este conjunto de livros alemães assim como estão. Quero agradecer enormemente à Profa. Dra. Maria Clara Paixão de Sousa pelo convite tão honroso que me fez para participar deste projeto de catalogação de obras alemãs sobre o Brasil em 2009. Permito-me aqui a ler uma parte do que ela escreveu sobre este simpósio+exposição em seu blog de humanidades digitais. Ela diz:

“Esses pesquisadores chegaram, magistralmente, a um objetivo que poucos atingem (um objetivo a que poucos, de fato, almejam): transformaram uma latência em uma potência. Ou seja: transformaram o tesouro escrito em alemão encerrado no acervo da Brasiliana Mindlin da USP em um universo vivo, trabalhável, muito além da latência – transmutação, que, afinal, é própria do milenar ofício da tradução, e do muito mais recente ofício da digitalização”.

Querida Maria Clara, essa transmutação só foi possível pela energia que você depositou sobre nós.

KOCH-GRUNBERG, Theodor - Vom Roraima zum Orinoco [...], 1917. vol. 1. Acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, USP.
Imagem de KOCH-GRUNBERG, Theodor.
Vom Roraima zum Orinoco […], 1917. Vol. 1.
Acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, USP.

A ideia de trabalhar com a iconografia desses livros é originalmente da bibliotecária Daniela Pires. Maria Clara e eu somos mensageiros acadêmicos dessa linda ideia de Daniela. A ela agradeço imenso pela sua dedicação aos alunos da Área de Língua e Literatura Alemã, hoje aqui representados por Luciana de Fátima Cândido, Gabriela Kühnel e os mais recém-chegados ao projeto e não menos engenhosos amantes dos livros Olívia Yumi e Luiz Fernando da Costa Leite. Estão ausentes hoje os alunos Jonatas Amaral e Luiz Ricardo Gonçalves. Os dois estão vivendo agora na Alemanha, fizeram a viagem de volta dos livros. Devem estar contando lá do outro lado do oceano tentando convencer aos alemães de além mar que somos uma história verdadeira, eine wahrhaftige Geschichte. Todos se destacam pela maestria da bibliotecária-mor, a nossa querida Cristina Antunes, dona das histórias para além das histórias que esses livros retratam e que hoje à tarde vai nos brindar com seu relato sobre como se construiu uma brasiliana alemã na biblioteca mágica dos Mindlin. A todos eles agradeço enormemente a dedicação das últimas semanas que culminam no que se vê exposto aqui, fruto de um trabalho cuidadoso feito desde 2010.

Agradeço a presença dos curiosos, porque deles é o reino da Ciência. Sem curiosidade não há perguntas. Sem perguntas não há Ciência.

Agradeço ao Instituto Martius-Staden, ao Sr. Ekhard Kupfer pelo empréstimo dos 15 almanaques, Kalender, produzidos por imigrantes alemães no sul do Brasil e também à Sra. Ana Rüsche, criadora do lindo logotipo deste evento. Sua inventividade fez caber 500 anos de relações entre povos de língua alemã em uma imagem que retrata um óculos que nos faz enxergar o Brasil pelo olhar alemão. Agradeço à diretoria da Biblioteca Guita e José Mindlin, ao Prof. Dr. Carlos Guilherme Mota e à Profa. Dra. Giuliana Ragusa pela presença e pela anuência em favor da realização desta exposição.

 A exposição ficará aberta de hoje até o mês de julho. Muito obrigado pela presença de todos e convido-os a passarem ao Auditório István Jancsó, que carrega o nome do professor desta universidade que juntamente com o Dr. Mindlin viabilizou o início da viagem mágica dos livros do Brooklin até o Butantã. O simpósio acontece nestes dois dias com a presença de convidados meus e da Profa. Celeste Ribeiro de Sousa, minha colega do programa de pós-graduação da Área de Língua e Literatura Alemã. Obrigado.

      • Maria Arminda do Nascimento Arruda
      • Betty Mindlin
      • Diana Mindlin
      • Sérgio Ephim Mindlin
      • Sonia Mindlin

Ai, palavras, ai palavras,
que estranha potência, a vossa!
Ai, palavras, ai palavras,
sois o vento, ides no vento,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!

Sois de vento, ides no vento,
e quedais, com sorte nova!
Ai, palavras, ai palavras,
que estranha potência, a vossa!

Todo o sentido da vida
principia à vossa porta;
o mel do amor cristaliza
seu perfume em vossa rosa;
sois o sonho e sois audácia,
calúnia, fúria, derrota…

A liberdade das almas,
ai! com letras se elabora…
E dos venenos humanos
sois a mais fina retorta:
frágil como o vidro
e mais que o são poderosa!

Reis, impérios, povos, tempos,
pelo vosso impulso rodam… 

Cecília Meireles

 

500 anos de alemães no Brasil

Repostagem de hdbr.hypotheses.org – ver post original
Imagem 211 Em 7 e 8 de maio, acontece o Simpósio 500 Anos de Alemães no Brasil, realizado pela Área de Língua e Literatura Alemã do Departamento de Letras Modernas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, inaugurando a exposição Iconografia na Coleção Mindlin de Livros Alemães do Século XVI ao Século XX – ambos na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP. A programação completa do Simpósio está disponível em http://sce.fflch.usp.br/node/1711. Os eventos, complementares, são promovidos por duas equipes: o Grupo de Pesquisas RELLIBRA – “Relações Linguísticas e Literárias Brasil-Alemanha”, fundado e certificado em 1993, credenciado na USP e no CNPq, coordenado pela Profa. Dra. Celeste Henriques Marquês Ribeiro de Sousa (DLM-FFLCH-USP); e a equipe de Catalogação, descrição e edição de documentos impressos em língua alemã na Brasiliana Digital, coordenada pelo Prof. Dr. José da Silva Simões (DLM-FFLCH-USP), vinculada ao Grupo de Pesquisas Humanidades Digitais, também cadastrado como grupo de pesquisa no CNPq, e sediado na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin entre 2011 e março de 2014.

Ilustração em "Nova genera et species plantarum [...]" . Arquivo Digital da Brasiliana USP, http://www.brasiliana.usp.br/node/1102
Ilustração em “Nova genera et species plantarum […]” . Arquivo Digital da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mildlin,  USP.
O Grupo de Pesquisas Humanidades Digitais anuncia esses eventos com muito orgulho. O trabalho com a – riquíssima – coleção de textos em alemão no acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP começou, em 2010, no âmbito de nosso Grupo, com a chegada do Prof. José da Silva Simões, que coordenou diversos projetos dedicados a apoiar a Biblioteca na catalogação das obras escritas em alemão entre 2010 e 2014. São produtos dessa época diversos trabalhos de tradução e adaptação de obras em alemão do acervo da BBM, alguns deles anunciados neste blog (aqui, aqui, e aqui). Esse nosso orgulho em anunciar o evento vem de dois lados (aparentemente) opostos. Primeiro, um lado mais imediato e compreensível (e de fato, um pouco maternal) – o orgulho de ver a competência, a relevância e a beleza de um projeto nascido no contexto do ambiente de pesquisas que tentamos implementar na Biblioteca desde 2009 – de fato, quatro anos antes do edifcio que a abriga ser inaugurado, em 2013.

Tatuagem tradicional de habitante de Nukuhiwa. Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin - USP, acesso em 03-julho-2013
Tatuagem tradicional de habitante de Nukuhiwa. Arquivo Digital da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, USP.

Segundo, um lado diametralmente oposto –  o orgulho agridoce de ver uma criança crescer e caminhar, independente, pelo mundo. Pois hoje os projetos da área de tradução em língua alemã originalmente abrigados em nosso grupo ganham novas dimensões, autônomas e maduras, como é esperado dos bons projetos. Muito além dos objetivos originais do nosso grupo – que se focavam, fundamentalmente, na extroversão do acervo com base nas tecnologias digitais – os projetos na área de alemão agora alcançam novos horizontes, muito mais amplos, como se vê nesse Simpósio e na sua discussão extremamente rica sobre a presença dos alemães no Brasil desde o século XVI. Assim deve ser – assim é o destino das boas – das excelentes – parcerias de pesquisa. Nesse contexto, nos permitimos aproveitar das prerrogativas do orgulho materno para salientar a felicidade do encontro entre a Biblioteca  Mindlin da USP e o grupo responsável pela organização deste Simpósio, capitaneado por José Simões e Celeste Ribeiro de Sousa. Esses pesquisadores chegaram, magistralmente, a um objetivo que poucos atingem (um objetivo a que poucos, de fato, almejam): transformaram uma latência em uma potência. Ou seja: transformaram o tesouro escrito em alemão encerrado no acervo da Brasiliana Mindlin da USP em um universo vivo, trabalhável, muito além da latência – transmutação, que, afinal, é própria do milenar ofício da tradução, e do muito mais recente ofício da digitalização. Trata-se, nos dois casos de traduzir  – afinal – num sentido profundo.

Mensageiro da província de Jaén Bracamoros (Detalhe). No livro Des Freiherrn Alexander von Humboldt und Aimé Bonpland Reise (…), Volume 4. Acervo da Brasiliana USP.
Mensageiro da província de Jaén Bracamoros (Detalhe). No livro Des Freiherrn Alexander von Humboldt und Aimé Bonpland Reise (…), Volume 4. Acervo da Brasiliana Guita e José Mindlin, USP

O nascimento dessas obras em nova forma – em novo formato, em nova língua, em novo momento histórico- representa, assim, a tarefa mais solene das humanidades desde a antiguidade – e-ditar, trazer à luz. A tradução, entretanto, está talvez entre as mais injustiçadas das artes (traduttore, traditore!), certamente por culpa da nossa incompreensão frente à tarefa imensa e dilacerante do tradutor, esse transmutador – esse alquimista das idéias. A digitalização, notemos, não é menos incompreendida, e não é menos injustiçada. E envolve, também ela, uma alquimia, uma transmutação poderosa: do papel para a tela, dos traços em pena para os bits – uma tradução material. O trabalho do tradutor-digitalizador, portanto, talvez esteja entre os mais ingratos, entre os menos apreciados… Mais uma razão para o nosso aplauso, nossa admiração e nosso orgulho pelo trabalho dos tradutores-digitais dos projetos da área de alemão do nosso Grupo de Pesquisas, e por seu Simpósio. Parabéns a todos! Aguardamos o Simpósio e a exposição com grande antecipação.

A Flora Brasileira de von Martius

martius_1Karl Friedrich Philipp von Martius: estudo e registro da flora brasileira

Luciana de Fátima Cândido

na Brasiliana Digital

Como parte dos nossos projetos na área de tradução – alemão, a Brasiliana USP colocou no ar importantes obras de C.P. von Martius sobre a flora brasileira, escritas entre 1823 e 1867, com uma introdução de Luciana de Fátima Cândido. Segundo a pesquisadora,  “Não restam dúvidas que 1808 foi um ano importante para o Brasil também no que diz respeito às ciências naturais e artísticas: assistimos ao que podemos chamar de redescobrimento da flora brasileira. Com a chegada da corte de D. João VI ao Rio de Janeiro e a abertura dos portos às nações amigas as restrições à entrada e permanência de estrangeiros na colônia foram revogadas. Em 1817, desembarcou no Brasil a arquiduquesa da Áustria, Maria Leopoldina, recém-casada com o príncipe do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, Pedro de Alcântara e, com ela, vieram cientistas, botânicos, zoólogos e artistas europeus que integravam a Missão Científica de História Natural. Esta Missão Austríaca, como ficou conhecida, financiou estudiosos das mais variadas ciências, como os artistas Johann Buchberger, Franz Frühbeck, Benjamin Mary e Thomas Ender, o litógrafo Johann J. Steinmann, o taxidermista Domenico Sochor, os zoólogos Johann B. von Spix e Johann Natterer, os botânicos Carl Friedrich Ph. von Martius, Johann Sebastian Mikan e Johann Emmanuel Pohl e o fotógrafo George Leuzinger. Dessa missão resultaram notáveis obras científicas e belíssimas produções artísticas.” – Leia o artigo completo em http://www.brasiliana.usp.br/node/1102

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Expedição Langsdorff na Brasiliana Digital

Tatuagem tradicional de habitante de Nukuhiwa. Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin - USP, acesso em 03-julho-2013
Tatuagem tradicional de habitante de Nukuhiwa. Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin – USP, acesso em 03-julho-2013

Como parte dos nossos projetos na área de tradução – alemão, a Brasiliana USP colocou no ar, recentemente, a produção publicada em 1812 e 1821 acerca das viagens filosóficas realizadas no período. É importante pontuar que tais viagens não ocorreram apenas em solo brasileiro:  “De volta à Europa, Langsdorff publicou dois volumes chamados Bemerkungen auf einer Reise um die Welt in den Jahren 1803 bis 1807 (Notas sobre uma viagem ao redor do mundo nos anos 1803-1807), títulos ilustrados pelo próprio autor, que tratam da fauna, flora e da etnografia da Califórnia, Havaí, Alaska, Nukuhiwa, ilhas do Pacífico, península do Kamtchatka e Japão. Em 1813 se mudou para o Brasil como Ministro Plenipotenciário Fedor Pahlen e assumiu o Consulado Geral da Rússia no Brasil. Em 1816, o barão de Langsdorff compra, no atual estado do Rio de Janeiro, a Fazenda da Mandioca, estadia obrigatória de diversos cientistas e naturalistas europeus que estiveram no Brasil nas primeiras décadas do século XIX e aí organizaram diversas expedições, entre os quais destacamos Spix e Martius, John Luccock, Emmanuel Pohl, Maximilian zu Wied-Neuwied, Saint-Hilaire e Friedrich Sellow”.

“A Expedição Langsdorff apresentou um caráter diferenciado em relação a outras expedições que percorreram o Brasil, pois além de estudar a flora e a fauna do país, os expedicionários dedicaram-se a pesquisar a etnografia e os idiomas das tribos brasileiras. A viagem foi custeada pelo czar Alexandre I da Rússia, país que buscava se igualar em importância às outras potências europeias no campo dos conhecimentos científicos. O barão reuniu, ao todo, 39 pessoas para a expedição e entre elas integraram o grupo artistas renomados, como os pintores Johann Moritz Rugendas, Hércules Florence e Aimé-Adrien Taunay, cujas reproduções da flora, da fauna e dos nativos brasileiros impressionaram a todos pelo rigor descritivo e pela beleza representada. O astrônomo Nestor Rubtsoz, o botânico Ludwig Ridel, e o naturalista Wilhelm Freyreiss também compunham esta equipe e muitas das espécies de plantas coletadas por Riedel foram expostas pela primeira vez na Flora Brasiliensis do botânico Carl Friedrich Philipp von Martius. A expedição teve como ponto de partida a província de Minas Gerais e depois rumou para o Brasil Central, seguindo por rio de São Paulo a Cuiabá, tomando, a partir daí, a direção norte, explorando a Amazônia e as cabeceiras e leito do rio Orenoco. Em 1825, a equipe saiu do Rio de Janeiro para Porto Feliz, na província de São Paulo em direção a Cuiabá….” . O artigo completo de Luciana de Fátima Candido está na Brasiliana Digital.

O dossiê biográfico nas Viagens Filosóficas

Dentro do grupo “Viagens, arte e ciência no Mundo Português” – no contexto dos nossos projetos na linha de História da Ciência –, a leitura da obra de Dosse surgiu como norteadora para a criação de um dicionário biobibliográfico, dentro do site da Biblioteca Brasiliana USP, com a finalidade de compilar os estudos realizados no mestrado e doutoramento da professora Ermelinda Moutinho Pataca. O projeto pretende que a inserção do dicionário não apenas transmita informações de modo acumulativo, mas contribua para a comunicação entre diferentes conhecimentos que possam se encontrar nestas, e através destas, memórias. Continue lendo “O dossiê biográfico nas Viagens Filosóficas”

Biard na Brasiliana Digital

Detalhe de Présages d’une invasion de fourmis (Sinais de um ataque de formigas). Gravura em madeira, por Auguste François Biard, Edouard Riou e Alexandre Hurel. 1862. Em Deux années au Brésil, de A. F. Biard. Acervo digital da Brasiliana USP.
François-Auguste Biard: retratos do Brasil com humor e ironia

Como parte dos nossos projetos na área de tradução – francês, a Brasiliana USP colocou no ar o trabalho de catalogação das gravuras do livro “Deux années au Brésil“, de François-Auguste Biard: “No final do século XVIII nascia o pintor de costumes François-Auguste Biard, mais precisamente no ano de 1798, em Lyon, França. Seguindo a prática da época, Biard foi destinado pela família a seguir carreira religiosa. No entanto, foi no campo das artes que encontrou sua vocação, ingressando na escola de Belas Artes de Lyon na década de 1820. Mais tarde, em 1827, tornou-se professor de desenho da Marinha, posto que possibilitou seu contato com outras culturas da Europa. As viagens o fascinavam a tal ponto que passou a coletar objetos exóticos por interesse antropológico e a registrar suas impressões pela pintura, em telas que fazia com representações dos locais por onde passava. Expõe, no salão de 1818, sua primeira obra, Les enfants perdus dans la forêt. Em algumas dessas exposições, que aconteciam nos Salões de Paris, chegou a ganhar medalhas. Os quadros de Biard interessavam não só aos entendidos em arte, mas principalmente ao grande público, que apreciava as pinceladas de humor mordaz impressas em suas obras”. Leia o artigo completo de Omotayo Itunnu Yussuf na Brasiliana Digital.

A Rede Semântica (i)

Este post inaugura uma série de discussões sobre “web semântica“, “informações ligadas” e suas interrelações. Vamos começar com um exemplo ilustrativo das possibilidades para o trabalho com remissões entre objetos digitais, a partir das Cartas sobre os elementos de Botanica, de J.J. Rousseau, obra traduzida para o português e impressa na Tipografia do Arco do Cego em 1801, com diversas versões atualmente disponíveis na internet.

Continue lendo “A Rede Semântica (i)”

Alexander von Humboldt na Brasiliana Digital

Mensageiro da província de Jaén Bracamoros (Detalhe). No livro Des Freiherrn Alexander von Humboldt und Aimé Bonpland Reise (…), Volume 4. Acervo da Brasiliana USP.

Como parte dos nossos projetos na área de tradução – alemão, a Brasiliana USP colocou no ar, recentemente, o trabalho de catalogação das obras de Alexander von Humboldt sobre o Brasil: “Alexander von Humboldt (1769-1859), o barão von Humboldt, oriundo de família nobre, nasceu e morreu em Berlim (Alemanha). Humboldt se correspondeu e também influenciou autores e naturalistas de prestígio em sua época pois, como geógrafo, cartógrafo, naturalista e explorador, estabeleceu conceitos importantes para a geografia moderna e desenvolveu ramos significativos como a geografia climática e humana, a fitogeografia e a geopolítica“. O artigo completo de Luciana de Fátima Candido está na Brasiliana Digital.

“Falar”

Apresentamos aqui uma lista de gramáticas, dicionários e outras obras sobre língua e linguagem publicadas entre 1712 e 1822 em português, como complemento para a leitura do capítulo IV (“Falar“) de “As palavras e as coisas“, de M. Foucault.

(… ainda na esteira da nossa Roda de Leitura, como neste post de 10/04 sobre o capítulo II e neste post de 30/03 sobre o capítulo I). Continue lendo ““Falar””

Carta de Apresentação

Mappa da exportação dos effeitos que sahirão pela Barra da Parahiba desde 87 té 97. Figueiredo, Inácio José Maria de (grav.) Lisboa: Na Officina da Casa Litteraria do Arco do Cego, 1799. Arquivo digital da Brasiliana USP.

O Grupo de Pesquisas Humanidades Digitais é formado por pesquisadores interessados em explorar e interrogar a produção, a organização e a difusão da informação no meio digital.

Estamos construindo nossas interrogações como ação crítica e criativa. Incluímos em nosso horizonte duas perspectivas integradas: a reflexão teórica sobre as questões colocadas pelos novos meios de difusão da informação para o problema histórico e epistemológico da construção do conhecimento, e a experimentação em torno de novas formas de acesso, organização e processamento da informação. Continue lendo “Carta de Apresentação”

Iconografia – Eixo temático de 2011

No ano de 2011, escolhemos como eixo temático comum a Iconografia.

Classis navium qua...
Classis navium…, Frans Post, 1645 (detalhe)

Essa escolha foi motivada pelo reconhecimento de alguns desafios importantes envolvidos no trabalho de catalogar os arquivos digitais de imagens do acervo Brasiliana USP, em especial o de construir descrições que levem em consideração a importância da iconografia nas obras sobre o Brasil feitas por viajantes, naturalistas e exploradores estrangeiros. Continue lendo “Iconografia – Eixo temático de 2011”