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500 anos de alemães no Brasil

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Imagem 211 Em 7 e 8 de maio, acontece o Simpósio 500 Anos de Alemães no Brasil, realizado pela Área de Língua e Literatura Alemã do Departamento de Letras Modernas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, inaugurando a exposição Iconografia na Coleção Mindlin de Livros Alemães do Século XVI ao Século XX – ambos na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP. A programação completa do Simpósio está disponível em http://sce.fflch.usp.br/node/1711. Os eventos, complementares, são promovidos por duas equipes: o Grupo de Pesquisas RELLIBRA – “Relações Linguísticas e Literárias Brasil-Alemanha”, fundado e certificado em 1993, credenciado na USP e no CNPq, coordenado pela Profa. Dra. Celeste Henriques Marquês Ribeiro de Sousa (DLM-FFLCH-USP); e a equipe de Catalogação, descrição e edição de documentos impressos em língua alemã na Brasiliana Digital, coordenada pelo Prof. Dr. José da Silva Simões (DLM-FFLCH-USP), vinculada ao Grupo de Pesquisas Humanidades Digitais, também cadastrado como grupo de pesquisa no CNPq, e sediado na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin entre 2011 e março de 2014.

Ilustração em "Nova genera et species plantarum [...]" . Arquivo Digital da Brasiliana USP, http://www.brasiliana.usp.br/node/1102
Ilustração em “Nova genera et species plantarum […]” . Arquivo Digital da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mildlin,  USP.
O Grupo de Pesquisas Humanidades Digitais anuncia esses eventos com muito orgulho. O trabalho com a – riquíssima – coleção de textos em alemão no acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP começou, em 2010, no âmbito de nosso Grupo, com a chegada do Prof. José da Silva Simões, que coordenou diversos projetos dedicados a apoiar a Biblioteca na catalogação das obras escritas em alemão entre 2010 e 2014. São produtos dessa época diversos trabalhos de tradução e adaptação de obras em alemão do acervo da BBM, alguns deles anunciados neste blog (aqui, aqui, e aqui). Esse nosso orgulho em anunciar o evento vem de dois lados (aparentemente) opostos. Primeiro, um lado mais imediato e compreensível (e de fato, um pouco maternal) – o orgulho de ver a competência, a relevância e a beleza de um projeto nascido no contexto do ambiente de pesquisas que tentamos implementar na Biblioteca desde 2009 – de fato, quatro anos antes do edifcio que a abriga ser inaugurado, em 2013.

Tatuagem tradicional de habitante de Nukuhiwa. Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin - USP, acesso em 03-julho-2013
Tatuagem tradicional de habitante de Nukuhiwa. Arquivo Digital da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, USP.

Segundo, um lado diametralmente oposto –  o orgulho agridoce de ver uma criança crescer e caminhar, independente, pelo mundo. Pois hoje os projetos da área de tradução em língua alemã originalmente abrigados em nosso grupo ganham novas dimensões, autônomas e maduras, como é esperado dos bons projetos. Muito além dos objetivos originais do nosso grupo – que se focavam, fundamentalmente, na extroversão do acervo com base nas tecnologias digitais – os projetos na área de alemão agora alcançam novos horizontes, muito mais amplos, como se vê nesse Simpósio e na sua discussão extremamente rica sobre a presença dos alemães no Brasil desde o século XVI. Assim deve ser – assim é o destino das boas – das excelentes – parcerias de pesquisa. Nesse contexto, nos permitimos aproveitar das prerrogativas do orgulho materno para salientar a felicidade do encontro entre a Biblioteca  Mindlin da USP e o grupo responsável pela organização deste Simpósio, capitaneado por José Simões e Celeste Ribeiro de Sousa. Esses pesquisadores chegaram, magistralmente, a um objetivo que poucos atingem (um objetivo a que poucos, de fato, almejam): transformaram uma latência em uma potência. Ou seja: transformaram o tesouro escrito em alemão encerrado no acervo da Brasiliana Mindlin da USP em um universo vivo, trabalhável, muito além da latência – transmutação, que, afinal, é própria do milenar ofício da tradução, e do muito mais recente ofício da digitalização. Trata-se, nos dois casos de traduzir  – afinal – num sentido profundo.

Mensageiro da província de Jaén Bracamoros (Detalhe). No livro Des Freiherrn Alexander von Humboldt und Aimé Bonpland Reise (…), Volume 4. Acervo da Brasiliana USP.
Mensageiro da província de Jaén Bracamoros (Detalhe). No livro Des Freiherrn Alexander von Humboldt und Aimé Bonpland Reise (…), Volume 4. Acervo da Brasiliana Guita e José Mindlin, USP

O nascimento dessas obras em nova forma – em novo formato, em nova língua, em novo momento histórico- representa, assim, a tarefa mais solene das humanidades desde a antiguidade – e-ditar, trazer à luz. A tradução, entretanto, está talvez entre as mais injustiçadas das artes (traduttore, traditore!), certamente por culpa da nossa incompreensão frente à tarefa imensa e dilacerante do tradutor, esse transmutador – esse alquimista das idéias. A digitalização, notemos, não é menos incompreendida, e não é menos injustiçada. E envolve, também ela, uma alquimia, uma transmutação poderosa: do papel para a tela, dos traços em pena para os bits – uma tradução material. O trabalho do tradutor-digitalizador, portanto, talvez esteja entre os mais ingratos, entre os menos apreciados… Mais uma razão para o nosso aplauso, nossa admiração e nosso orgulho pelo trabalho dos tradutores-digitais dos projetos da área de alemão do nosso Grupo de Pesquisas, e por seu Simpósio. Parabéns a todos! Aguardamos o Simpósio e a exposição com grande antecipação.

A Flora Brasileira de von Martius

martius_1Karl Friedrich Philipp von Martius: estudo e registro da flora brasileira

Luciana de Fátima Cândido

na Brasiliana Digital

Como parte dos nossos projetos na área de tradução – alemão, a Brasiliana USP colocou no ar importantes obras de C.P. von Martius sobre a flora brasileira, escritas entre 1823 e 1867, com uma introdução de Luciana de Fátima Cândido. Segundo a pesquisadora,  “Não restam dúvidas que 1808 foi um ano importante para o Brasil também no que diz respeito às ciências naturais e artísticas: assistimos ao que podemos chamar de redescobrimento da flora brasileira. Com a chegada da corte de D. João VI ao Rio de Janeiro e a abertura dos portos às nações amigas as restrições à entrada e permanência de estrangeiros na colônia foram revogadas. Em 1817, desembarcou no Brasil a arquiduquesa da Áustria, Maria Leopoldina, recém-casada com o príncipe do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, Pedro de Alcântara e, com ela, vieram cientistas, botânicos, zoólogos e artistas europeus que integravam a Missão Científica de História Natural. Esta Missão Austríaca, como ficou conhecida, financiou estudiosos das mais variadas ciências, como os artistas Johann Buchberger, Franz Frühbeck, Benjamin Mary e Thomas Ender, o litógrafo Johann J. Steinmann, o taxidermista Domenico Sochor, os zoólogos Johann B. von Spix e Johann Natterer, os botânicos Carl Friedrich Ph. von Martius, Johann Sebastian Mikan e Johann Emmanuel Pohl e o fotógrafo George Leuzinger. Dessa missão resultaram notáveis obras científicas e belíssimas produções artísticas.” – Leia o artigo completo em http://www.brasiliana.usp.br/node/1102

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Expedição Langsdorff na Brasiliana Digital

Tatuagem tradicional de habitante de Nukuhiwa. Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin - USP, acesso em 03-julho-2013
Tatuagem tradicional de habitante de Nukuhiwa. Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin – USP, acesso em 03-julho-2013

Como parte dos nossos projetos na área de tradução – alemão, a Brasiliana USP colocou no ar, recentemente, a produção publicada em 1812 e 1821 acerca das viagens filosóficas realizadas no período. É importante pontuar que tais viagens não ocorreram apenas em solo brasileiro:  “De volta à Europa, Langsdorff publicou dois volumes chamados Bemerkungen auf einer Reise um die Welt in den Jahren 1803 bis 1807 (Notas sobre uma viagem ao redor do mundo nos anos 1803-1807), títulos ilustrados pelo próprio autor, que tratam da fauna, flora e da etnografia da Califórnia, Havaí, Alaska, Nukuhiwa, ilhas do Pacífico, península do Kamtchatka e Japão. Em 1813 se mudou para o Brasil como Ministro Plenipotenciário Fedor Pahlen e assumiu o Consulado Geral da Rússia no Brasil. Em 1816, o barão de Langsdorff compra, no atual estado do Rio de Janeiro, a Fazenda da Mandioca, estadia obrigatória de diversos cientistas e naturalistas europeus que estiveram no Brasil nas primeiras décadas do século XIX e aí organizaram diversas expedições, entre os quais destacamos Spix e Martius, John Luccock, Emmanuel Pohl, Maximilian zu Wied-Neuwied, Saint-Hilaire e Friedrich Sellow”.

“A Expedição Langsdorff apresentou um caráter diferenciado em relação a outras expedições que percorreram o Brasil, pois além de estudar a flora e a fauna do país, os expedicionários dedicaram-se a pesquisar a etnografia e os idiomas das tribos brasileiras. A viagem foi custeada pelo czar Alexandre I da Rússia, país que buscava se igualar em importância às outras potências europeias no campo dos conhecimentos científicos. O barão reuniu, ao todo, 39 pessoas para a expedição e entre elas integraram o grupo artistas renomados, como os pintores Johann Moritz Rugendas, Hércules Florence e Aimé-Adrien Taunay, cujas reproduções da flora, da fauna e dos nativos brasileiros impressionaram a todos pelo rigor descritivo e pela beleza representada. O astrônomo Nestor Rubtsoz, o botânico Ludwig Ridel, e o naturalista Wilhelm Freyreiss também compunham esta equipe e muitas das espécies de plantas coletadas por Riedel foram expostas pela primeira vez na Flora Brasiliensis do botânico Carl Friedrich Philipp von Martius. A expedição teve como ponto de partida a província de Minas Gerais e depois rumou para o Brasil Central, seguindo por rio de São Paulo a Cuiabá, tomando, a partir daí, a direção norte, explorando a Amazônia e as cabeceiras e leito do rio Orenoco. Em 1825, a equipe saiu do Rio de Janeiro para Porto Feliz, na província de São Paulo em direção a Cuiabá….” . O artigo completo de Luciana de Fátima Candido está na Brasiliana Digital.

Biard na Brasiliana Digital

Detalhe de Présages d’une invasion de fourmis (Sinais de um ataque de formigas). Gravura em madeira, por Auguste François Biard, Edouard Riou e Alexandre Hurel. 1862. Em Deux années au Brésil, de A. F. Biard. Acervo digital da Brasiliana USP.
François-Auguste Biard: retratos do Brasil com humor e ironia

Como parte dos nossos projetos na área de tradução – francês, a Brasiliana USP colocou no ar o trabalho de catalogação das gravuras do livro “Deux années au Brésil“, de François-Auguste Biard: “No final do século XVIII nascia o pintor de costumes François-Auguste Biard, mais precisamente no ano de 1798, em Lyon, França. Seguindo a prática da época, Biard foi destinado pela família a seguir carreira religiosa. No entanto, foi no campo das artes que encontrou sua vocação, ingressando na escola de Belas Artes de Lyon na década de 1820. Mais tarde, em 1827, tornou-se professor de desenho da Marinha, posto que possibilitou seu contato com outras culturas da Europa. As viagens o fascinavam a tal ponto que passou a coletar objetos exóticos por interesse antropológico e a registrar suas impressões pela pintura, em telas que fazia com representações dos locais por onde passava. Expõe, no salão de 1818, sua primeira obra, Les enfants perdus dans la forêt. Em algumas dessas exposições, que aconteciam nos Salões de Paris, chegou a ganhar medalhas. Os quadros de Biard interessavam não só aos entendidos em arte, mas principalmente ao grande público, que apreciava as pinceladas de humor mordaz impressas em suas obras”. Leia o artigo completo de Omotayo Itunnu Yussuf na Brasiliana Digital.

Alexander von Humboldt na Brasiliana Digital

Mensageiro da província de Jaén Bracamoros (Detalhe). No livro Des Freiherrn Alexander von Humboldt und Aimé Bonpland Reise (…), Volume 4. Acervo da Brasiliana USP.

Como parte dos nossos projetos na área de tradução – alemão, a Brasiliana USP colocou no ar, recentemente, o trabalho de catalogação das obras de Alexander von Humboldt sobre o Brasil: “Alexander von Humboldt (1769-1859), o barão von Humboldt, oriundo de família nobre, nasceu e morreu em Berlim (Alemanha). Humboldt se correspondeu e também influenciou autores e naturalistas de prestígio em sua época pois, como geógrafo, cartógrafo, naturalista e explorador, estabeleceu conceitos importantes para a geografia moderna e desenvolveu ramos significativos como a geografia climática e humana, a fitogeografia e a geopolítica“. O artigo completo de Luciana de Fátima Candido está na Brasiliana Digital.

Ler “A Prosa do Mundo” hoje

Campanella, De Sensu Rerum et Magia Libri Quatuor
T. Campanella, De Sensu Rerum et Magia Libri Quatuor, 1620

Como apoio para as conversas na nossa Roda de Leitura desse mês, preparamos uma lista de reproduções digitais de dezessete livros citados por Michel Foucault em A Prosa do Mundo, o capítulo II de As Palavras e as Coisas. Esta lista inspira um comentário.

Imagino a leitura de A Prosa do Mundo acontecendo na forma de pelo menos dois gestuais, cada um deles compondo uma experiência inteiramente singular (como, de resto, acontece com qualquer leitura – mas aqui condenso este caso, acompanhando nossa Roda). O primeiro gestual seria o de quem percorre o texto do início ao fim sem suspender seus olhos. O segundo seria o de quem interrompe o percorrer do texto a cada tanto, e suspende os olhos em busca das obras comentadas por Foucault. Continuar lendo Ler “A Prosa do Mundo” hoje

“The Private Lives of Medieval Kings” | BBC – Documentário

Documentários sempre existiram, é verdade, mas nunca imaginei que pudesse conectá-los diretamente ao campo das Humanidades Digitais. Não pelos temas, pois evidentemente existe uma infinidade de documentários sobre os mais variados assuntos, e por essa ótica, milhares deles poderiam fazer parte deste blog. Continuar lendo “The Private Lives of Medieval Kings” | BBC – Documentário

Iconografia – Eixo temático de 2011

No ano de 2011, escolhemos como eixo temático comum a Iconografia.

Classis navium qua...
Classis navium…, Frans Post, 1645 (detalhe)

Essa escolha foi motivada pelo reconhecimento de alguns desafios importantes envolvidos no trabalho de catalogar os arquivos digitais de imagens do acervo Brasiliana USP, em especial o de construir descrições que levem em consideração a importância da iconografia nas obras sobre o Brasil feitas por viajantes, naturalistas e exploradores estrangeiros. Continuar lendo Iconografia – Eixo temático de 2011