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O fim do tele-Espectador? | Humanidades Digitais em HD.br

O fim do tele-Espectador? | Humanidades Digitais.

Os jovens nascidos na era da internet estão vivendo um fenômeno cujo impacto o mundo dos adultos ainda não começou a compreender: eles quebraram a dicotomia produtor-consumidor de conteúdos, e talvez estejam causando o fim da figura do “Telespectador”.

Leia mais em http://hdbr.hypotheses.org/5690

Dia HD 2014

logo-pt-PTO “Dia das Humanidades Digitais 2014” (versão em espanhol e português) terá lugar no dia 15 de outubro de 2014.

Dia HD é um projeto de pubicação coletiva que pretende documentar um dia de trabalho de pessoas que estejam envolvidas em pesquisas que ligam as humanidades e a computação. Pretende-se reunir pessoas de todo o mundo, que falem ou trabalhem primordialmente nos idiomas espanhol e português, para através de texto e imagem registar os eventos e atividades de um dia de trabalho. O objetivo do projeto é cruzar num único local os labores de todos os participantes, deste modo elaborando um recurso digital com o qual se possa responder à questão “O que fazem os humanistas digitais?

Para além da experiência em publicação digital coletiva, o evento é uma oportunidade de divulgarmos o nosso trabalho, gerar novos contatos e criar redes num campo de investigação que tem tido cada vez mais visibilidade nos últimos anos. O Dia HD inspira-se no Day of Digital Humanities, projeto ativo desde 2009, que vem se consolidando como espaço de reunião e mapeamento anual da comunidade de Humanidades Digitais globais. A proposta dos idealizadores do Dia HD, a partir disso, é expandir o grupo de identidades reconhecidas no mundo das Humanidades Digitais muito além da anglofonia.

Imagem 504Esta é a segunda versão do DHD; a experiência de 2013, que pode ser visitada aqui, foi relatada e debatida no artigo “Who is ‘we’? – The social media project: Día de las humanidades digitales, Dia das humanidades digitais “, apresentado na conferência Digital Humanities 2014 (slides aqui). Naquele ano, o projeto reuniu 70 blogs (13 deles em português, e 57 em espanhol), representando pesquisadores e projetos da Espanha, México, Argentina, Portugal, Brasil, Canadá, Estados Unidos, Reino Unido e Suécia. Alguns aspectos interessantes sobre a comunidade de humanistas digitais nas duas línguas já puderam ser percebidos e analisados a partir da ediçãode 2013 – em particular, nota-se que os pesquisadores preferiram participar como figuras coletivas, construindo blogs e páginas de grupos de pesquisas e laboratórios. Esta foi uma uma singularidade do Dia HD 2013, em comparação com o projeto Day of Digital Humanities, no qual tem sido mais comum a participação de blogs individuais. Diversos outros balanços e perspectivas singulares sobre esses resultados podem ser lidos nos blogs da própria plataforma do Dia HD 2013 – e ainda, nestes posts do blog Bibliotecas e Humanidades Digitais: O Dia das Humanidades Digitais (#diahd): uma aproximação em números ou Ainda o Dia das Humanidades Digitais de 2013

A edição de 2014 é uma nova oportunidade para a comunidade de pesquisadores das humanidades digitais hispânicas e lusófonas se reunir, e refletir sobre sua identidade, projetos e desafios em comum.

Junte-se a nós!

Para participar, basta acessar a plataforma em diahd2014.filos.unam.mx e criar seu blog. Ao longo do dia 15, estaremos todos por lá compartilhando nossas esperiências em mais um dia de trabalho nas redes.

 

Dia Humanidades Digitais 2014

Mais Informações

O Dia HD em português e espanhol é organizado por:

CenterNet
Humanidades Digitales Hispánicas. Sociedad Internacional (HDH)
Red de Humanidades Digitales (RedHD)
Facultad de Filosofía y Letras, Universidad Nacional Autónoma de Méixco
Associação das Humanidades Digitais (AHDig)
Asociación Argentina de Humanidades Digitales (AAHD)

Divulguem e participem!

A hashtag do Twitter para o evento é #diahd14

Para participar no projecto, por favor, registe-se aqui:
http://diahd2014.filos.unam.mx/registrarse

Informação mais detalhada sobre o projecto, estão disponíveis aqui:
http://diahd2014.filos.unam.mx/acerca

Recomendações para participar:
http://diahd2014.filos.unam.mx/recomendaciones

“Ciencias Sociales y Humanidades Digitales”

Ciencias Sociales y Humanidades Digitales. CAC, Cuadernos Artesanos de Comunicación, 61.
Romero Frías, E. y Sánchez González, M. (eds.) (2014). Ciencias Sociales y Humanidades Digitales (…). CAC, Cuadernos Artesanos de Comunicación, 61.

Ciencias Sociales y Humanidades Digitales: Técnicas, herramientas y experiencias de e-Research e investigación en colaboración” [1], lançado recentemente como livro digital para leitura aberta e gratuita, é um volume de grande interesse para o campo das Humanidades Digitais.

A publicação coletiva, iniciativa do Grupo de Aprendizaje e Investigación en Internet da Universidade de Granada (GrinUGR), pretende ‘difundir as pesquisas atualmente realizadas no campo das ciências sociais e das humanidades digitais em ambos os lados do Atlântico, refletindo assim a pluralidade de perspectivas que hoje em dia existem na comunidade acadêmica hispânica’ [2].

O livro é organizado por Esteban Romero Frías e María Sánchez González e prefaciado por Paul Spence e Nuria Rodríguez Ortega, e compreende doze capítulos, divididos em três grandes blocos: I. Investigaciones en torno al estado de la cuestión de las Humanidades Digitales y la e-Research y fenómenos afines estudio, II. Potenciales usos de Internet y de la Web social para la investigación en Ciencias Sociales y Humanidades, e III. Experiencias sobre investigación colaborativa y sobre enseñanza-aprendizaje en el contexto de la e-Research y las Humanidades Digitales. Os textos, em todos os blocos, estão unidos pelo objetivo central dos editores: mostrar, por meio da apresentação de projetos e da discussão metodológica e teórica, o estado da arte das Humanidades Digitais nos países de fala hispânica.

 De derecha a izquierda: Mapas temporales, pre-1990, pre-2000 y actual que muestra el crecimiento y la expansión global de las HD.
‘De derecha a izquierda: Mapas temporales, pre-1990, pre-2000 y actual que muestra el crecimiento y la expansión global de las HD’. Figura 2 em Ortega & Gutiérrez (2014:110).
Figura 6.
‘Vista general de las conexiones entre disciplinas identificadas’. Figura 6 em Ortega & Gutiérrez (2014:115).

Numa primeira leitura, interessou-nos particularmente o capítulo MapaHD. Una exploración de las Humanidades Digitales en español y portugués, de Elika Ortega e Silvia Eunice Gutiérrez. O capítulo mostra um mapeamento realizado por meio de uma pesquisa nos ambientes virtuais da comunidade ao longo de 2013 – e que incluiu as iniciativas em Humanidades Digitais no mundo de fala hispânica e os grupos e projetos no âmbito da língua portuguesa, como a AHDig, o nosso Grupo de Pesquisas Humanidades Digitais, e o I Seminário Internacional em Humanidades Digitais no Brasil. Assim, já conhecíamos a iniciativa de mapeamento das autoras, por termos participado do questionário amplamente divulgado nos ambientes virtuais da comunidade no ano passado.

Os resultados desse mapeamento são muito interessantes, não apenas pelos números apurados, mas sobretudo pela análise extremamente atenta e delicada realizada pelas autoras a partir deles.

Alguns dos aspectos que impressionam, nesse sentido, são o crescimento das iniciativas em HD na última década (de forma particularmente aguda desde o ano de 2013), o espalhamento dessas iniciativas por diversos países da Europa e da América (41 países ao todo), e a disposição interdisciplinar mostrada pelos pesquisadores identificados com as HD no mundo hispânico e lusófono (entretanto, com uma acentuada pendência para o eixo ligado às pesquisas com a língua: estudos literários, filologia e linguística).

Terminamos essa breve resenha recomendando enfaticamente a leitura de “Ciencias Sociales y Humanidades Digitales” a todos os interessados no campo das Humanidades Digitais, e congratulando seus editores pela iniciativa – tanto por conta da qualidade e relevância acadêmica do volume, como pelo projeto inovador e democrático do lançamento em formato digital amplamente disponível para leitura.

 

 

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[1] Referência completa:

Romero Frías, E. y Sánchez González, M. (eds.) (2014). Ciencias Sociales y Humanidades Digitales Técnicas, herramientas y experiencias de e-Research e investigación en colaboración. CAC, Cuadernos Artesanos de Comunicación, 61. Disponible en:
http://www.cuadernosartesanos.org/2014/cac61.pdf

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[2] Trecho traduzido da Página de lançamento:

“… dar difusión a las investigaciones que se están realizando en el campo de las Ciencias Sociales y Humanidades Digitales a ambos lados del Atlántico, reflejando así la pluralidad de perspectivas que hoy en día existen en la comunidad académica hispana“, cf. http://grinugr.org/biblioteca-de-medios/libro-ciencias-sociales-y-humanidades-digitales-tecnicas-herramientas-y-experiencias-de-e-research-e-investigacion-en-colaboracion/.

Abertura da Exposição ‘500 anos de alemães no Brasil’

Fala de José da Silva Simões
na abertura da Exposição 500 anos de alemães no Brasil,
na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin,
em 07/05/2014

Imagem de MARTIUS, Carl Friedrich Philipp von - Nova genera et especies plantarum, 1824. vol. 2.
Imagem de MARTIUS, Carl Friedrich Philipp von.
Nova genera et especies plantarum, 1824. vol. 2.
Acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, USP.

Em uma época em que as palavras escritas parecem ser efêmeras, parece surpreendente que continuemos a nos dedicar aos livros.

Parece estranho colecionar palavras encerradas em arcas, que à distância parecem um revestimento de parede inerte, estático, insólito, obscuro. Em minha carreira de leitor o fascínio por essas arcas mágicas sempre me mostrou que elas tinham vida. Sei que esse fascínio é comum a muitos de nós que nos reunimos aqui para celebrar o registro da memória. Como professor de crianças e adolescentes durante duas décadas, muitas vezes tive a felicidade de ver esse mesmo fascínio nos olhos de meus alunos, investigando-os como objetos inicialmente inertes e obscuros, mas transformando-se em borboletas coloridas como aquelas ali de Carl Friederich Philipp von Martius, tão logo os abriam para a leitura curiosa.

Hoje eu tenho a honra de ajudar a exibir aqui uma preciosa coleção de olhares sobre o nosso país. As imagens que veremos nesta exposição são como um espelho de nós mesmos. Estão apenas emolduradas pelos amigos de outras terras que nos visitaram e que desde o princípio insistiram em dizer que esse país era uma história verdadeira. Ontem, durante a montagem da exposição, dei-me conta de que os três primeiros livros que estão na entrada da exposição, de Hans Staden, Sebastian Franck e Ulrich Schmidel têm o mesmo adjetivo em seu título: wahrhaftige Historia, wahrhaftige Beschreibungen, warhafftige und liebliche Beschreibung… Deve ter sido um protocolo quinhentista insistir que o que ali se narra não é ficção, mas sim a pura e fascinante realidade do que éramos e do que ainda somos. Imagino que ler Hans Staden no século XVI precisasse mesmo da chancela do gênero jornalístico da época, era preciso acentuar que aquilo tudo era verdadeiro e não obra da imaginação de um viajante enlouquecido.

MARTIUS, Carl Friedrich Philipp von - Beitrãge zur Ethnographie und Sprachenkunde Amerika’s zumal Brasiliens, 1867. vol. 1.
Imagem de MARTIUS, Carl Friedrich Philipp von.
Beitrãge zur Ethnographie und Sprachenkunde Amerika’s zumal Brasiliens, 1867. vol. 1.
Acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, USP.

Isso tudo que digo não teria sentido se eu não lembrasse aqui quem nos permite hoje o prazer de ver tantas verdades reunidas: o Dr. José Mindlin e sua esposa, Sra. Guita Mindlin, aqui representados por sua família, as senhoras Betty Mindlin, Diana Mindlin e Sonia Mindlin e o Sr. Sérgio Ephim Mindin. Nem preciso dizer o quanto gostaríamos que eles estivessem aqui para ver como dispusemos algumas de suas preciosidades, como reorientamos o olhar que estes livros atraem, como eles fazem sentido de conjunto assim alinhados. É como uma brincadeira infantil de dispor todos os impressos que temos em casa como uma pequena feira de livros: a velha estratégia de ler um livro por suas imagens ou de atrair leitores pelo lúdico que lhes é próprio. Esta universidade tem um dívida impagável com a família Mindlin e fico contente que o produto dessa dívida sejam peças tão preciosas. Se não me engano e se não aprendi errado a lição, quando deixamos de ser colônia de Portugal, creio que uma das primeiras dívidas externas do Brasil foi uma lista interminável de preciosíssimos livros que hoje vivem na nossa riquíssima Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Que dívida linda!

E por falar em dívida, não posso deixar aqui de pagar o meu soldo àqueles que nos inspiraram a rearranjar este conjunto de livros alemães assim como estão. Quero agradecer enormemente à Profa. Dra. Maria Clara Paixão de Sousa pelo convite tão honroso que me fez para participar deste projeto de catalogação de obras alemãs sobre o Brasil em 2009. Permito-me aqui a ler uma parte do que ela escreveu sobre este simpósio+exposição em seu blog de humanidades digitais. Ela diz:

“Esses pesquisadores chegaram, magistralmente, a um objetivo que poucos atingem (um objetivo a que poucos, de fato, almejam): transformaram uma latência em uma potência. Ou seja: transformaram o tesouro escrito em alemão encerrado no acervo da Brasiliana Mindlin da USP em um universo vivo, trabalhável, muito além da latência – transmutação, que, afinal, é própria do milenar ofício da tradução, e do muito mais recente ofício da digitalização”.

Querida Maria Clara, essa transmutação só foi possível pela energia que você depositou sobre nós.

KOCH-GRUNBERG, Theodor - Vom Roraima zum Orinoco [...], 1917. vol. 1. Acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, USP.
Imagem de KOCH-GRUNBERG, Theodor.
Vom Roraima zum Orinoco […], 1917. Vol. 1.
Acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, USP.

A ideia de trabalhar com a iconografia desses livros é originalmente da bibliotecária Daniela Pires. Maria Clara e eu somos mensageiros acadêmicos dessa linda ideia de Daniela. A ela agradeço imenso pela sua dedicação aos alunos da Área de Língua e Literatura Alemã, hoje aqui representados por Luciana de Fátima Cândido, Gabriela Kühnel e os mais recém-chegados ao projeto e não menos engenhosos amantes dos livros Olívia Yumi e Luiz Fernando da Costa Leite. Estão ausentes hoje os alunos Jonatas Amaral e Luiz Ricardo Gonçalves. Os dois estão vivendo agora na Alemanha, fizeram a viagem de volta dos livros. Devem estar contando lá do outro lado do oceano tentando convencer aos alemães de além mar que somos uma história verdadeira, eine wahrhaftige Geschichte. Todos se destacam pela maestria da bibliotecária-mor, a nossa querida Cristina Antunes, dona das histórias para além das histórias que esses livros retratam e que hoje à tarde vai nos brindar com seu relato sobre como se construiu uma brasiliana alemã na biblioteca mágica dos Mindlin. A todos eles agradeço enormemente a dedicação das últimas semanas que culminam no que se vê exposto aqui, fruto de um trabalho cuidadoso feito desde 2010.

Agradeço a presença dos curiosos, porque deles é o reino da Ciência. Sem curiosidade não há perguntas. Sem perguntas não há Ciência.

Agradeço ao Instituto Martius-Staden, ao Sr. Ekhard Kupfer pelo empréstimo dos 15 almanaques, Kalender, produzidos por imigrantes alemães no sul do Brasil e também à Sra. Ana Rüsche, criadora do lindo logotipo deste evento. Sua inventividade fez caber 500 anos de relações entre povos de língua alemã em uma imagem que retrata um óculos que nos faz enxergar o Brasil pelo olhar alemão. Agradeço à diretoria da Biblioteca Guita e José Mindlin, ao Prof. Dr. Carlos Guilherme Mota e à Profa. Dra. Giuliana Ragusa pela presença e pela anuência em favor da realização desta exposição.

 A exposição ficará aberta de hoje até o mês de julho. Muito obrigado pela presença de todos e convido-os a passarem ao Auditório István Jancsó, que carrega o nome do professor desta universidade que juntamente com o Dr. Mindlin viabilizou o início da viagem mágica dos livros do Brooklin até o Butantã. O simpósio acontece nestes dois dias com a presença de convidados meus e da Profa. Celeste Ribeiro de Sousa, minha colega do programa de pós-graduação da Área de Língua e Literatura Alemã. Obrigado.

      • Maria Arminda do Nascimento Arruda
      • Betty Mindlin
      • Diana Mindlin
      • Sérgio Ephim Mindlin
      • Sonia Mindlin

Ai, palavras, ai palavras,
que estranha potência, a vossa!
Ai, palavras, ai palavras,
sois o vento, ides no vento,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!

Sois de vento, ides no vento,
e quedais, com sorte nova!
Ai, palavras, ai palavras,
que estranha potência, a vossa!

Todo o sentido da vida
principia à vossa porta;
o mel do amor cristaliza
seu perfume em vossa rosa;
sois o sonho e sois audácia,
calúnia, fúria, derrota…

A liberdade das almas,
ai! com letras se elabora…
E dos venenos humanos
sois a mais fina retorta:
frágil como o vidro
e mais que o são poderosa!

Reis, impérios, povos, tempos,
pelo vosso impulso rodam… 

Cecília Meireles

 

500 anos de alemães no Brasil

Repostagem de hdbr.hypotheses.org – ver post original
Imagem 211 Em 7 e 8 de maio, acontece o Simpósio 500 Anos de Alemães no Brasil, realizado pela Área de Língua e Literatura Alemã do Departamento de Letras Modernas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, inaugurando a exposição Iconografia na Coleção Mindlin de Livros Alemães do Século XVI ao Século XX – ambos na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP. A programação completa do Simpósio está disponível em http://sce.fflch.usp.br/node/1711. Os eventos, complementares, são promovidos por duas equipes: o Grupo de Pesquisas RELLIBRA – “Relações Linguísticas e Literárias Brasil-Alemanha”, fundado e certificado em 1993, credenciado na USP e no CNPq, coordenado pela Profa. Dra. Celeste Henriques Marquês Ribeiro de Sousa (DLM-FFLCH-USP); e a equipe de Catalogação, descrição e edição de documentos impressos em língua alemã na Brasiliana Digital, coordenada pelo Prof. Dr. José da Silva Simões (DLM-FFLCH-USP), vinculada ao Grupo de Pesquisas Humanidades Digitais, também cadastrado como grupo de pesquisa no CNPq, e sediado na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin entre 2011 e março de 2014.

Ilustração em "Nova genera et species plantarum [...]" . Arquivo Digital da Brasiliana USP, http://www.brasiliana.usp.br/node/1102
Ilustração em “Nova genera et species plantarum […]” . Arquivo Digital da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mildlin,  USP.
O Grupo de Pesquisas Humanidades Digitais anuncia esses eventos com muito orgulho. O trabalho com a – riquíssima – coleção de textos em alemão no acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP começou, em 2010, no âmbito de nosso Grupo, com a chegada do Prof. José da Silva Simões, que coordenou diversos projetos dedicados a apoiar a Biblioteca na catalogação das obras escritas em alemão entre 2010 e 2014. São produtos dessa época diversos trabalhos de tradução e adaptação de obras em alemão do acervo da BBM, alguns deles anunciados neste blog (aqui, aqui, e aqui). Esse nosso orgulho em anunciar o evento vem de dois lados (aparentemente) opostos. Primeiro, um lado mais imediato e compreensível (e de fato, um pouco maternal) – o orgulho de ver a competência, a relevância e a beleza de um projeto nascido no contexto do ambiente de pesquisas que tentamos implementar na Biblioteca desde 2009 – de fato, quatro anos antes do edifcio que a abriga ser inaugurado, em 2013.

Tatuagem tradicional de habitante de Nukuhiwa. Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin - USP, acesso em 03-julho-2013
Tatuagem tradicional de habitante de Nukuhiwa. Arquivo Digital da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, USP.

Segundo, um lado diametralmente oposto –  o orgulho agridoce de ver uma criança crescer e caminhar, independente, pelo mundo. Pois hoje os projetos da área de tradução em língua alemã originalmente abrigados em nosso grupo ganham novas dimensões, autônomas e maduras, como é esperado dos bons projetos. Muito além dos objetivos originais do nosso grupo – que se focavam, fundamentalmente, na extroversão do acervo com base nas tecnologias digitais – os projetos na área de alemão agora alcançam novos horizontes, muito mais amplos, como se vê nesse Simpósio e na sua discussão extremamente rica sobre a presença dos alemães no Brasil desde o século XVI. Assim deve ser – assim é o destino das boas – das excelentes – parcerias de pesquisa. Nesse contexto, nos permitimos aproveitar das prerrogativas do orgulho materno para salientar a felicidade do encontro entre a Biblioteca  Mindlin da USP e o grupo responsável pela organização deste Simpósio, capitaneado por José Simões e Celeste Ribeiro de Sousa. Esses pesquisadores chegaram, magistralmente, a um objetivo que poucos atingem (um objetivo a que poucos, de fato, almejam): transformaram uma latência em uma potência. Ou seja: transformaram o tesouro escrito em alemão encerrado no acervo da Brasiliana Mindlin da USP em um universo vivo, trabalhável, muito além da latência – transmutação, que, afinal, é própria do milenar ofício da tradução, e do muito mais recente ofício da digitalização. Trata-se, nos dois casos de traduzir  – afinal – num sentido profundo.

Mensageiro da província de Jaén Bracamoros (Detalhe). No livro Des Freiherrn Alexander von Humboldt und Aimé Bonpland Reise (…), Volume 4. Acervo da Brasiliana USP.
Mensageiro da província de Jaén Bracamoros (Detalhe). No livro Des Freiherrn Alexander von Humboldt und Aimé Bonpland Reise (…), Volume 4. Acervo da Brasiliana Guita e José Mindlin, USP

O nascimento dessas obras em nova forma – em novo formato, em nova língua, em novo momento histórico- representa, assim, a tarefa mais solene das humanidades desde a antiguidade – e-ditar, trazer à luz. A tradução, entretanto, está talvez entre as mais injustiçadas das artes (traduttore, traditore!), certamente por culpa da nossa incompreensão frente à tarefa imensa e dilacerante do tradutor, esse transmutador – esse alquimista das idéias. A digitalização, notemos, não é menos incompreendida, e não é menos injustiçada. E envolve, também ela, uma alquimia, uma transmutação poderosa: do papel para a tela, dos traços em pena para os bits – uma tradução material. O trabalho do tradutor-digitalizador, portanto, talvez esteja entre os mais ingratos, entre os menos apreciados… Mais uma razão para o nosso aplauso, nossa admiração e nosso orgulho pelo trabalho dos tradutores-digitais dos projetos da área de alemão do nosso Grupo de Pesquisas, e por seu Simpósio. Parabéns a todos! Aguardamos o Simpósio e a exposição com grande antecipação.

Tudo ao mesmo tempo agora – o mapa sincronológico de Sebastian Adams

Adams' Synchronological Chart of Universal History. David Rumsay Map Collection
Adams’ Synchronological Chart of Universal History. David Rumsay Map Collection

O “Mapa Sincronológico da História Universal – pelos olhos da mente” [1] pode ser considerado o mais perfeito exemplo da fúria pela sintetização visual da história, com sua narrativa ilustrada de mais de cinco mil anos de eventos: de Adão e Eva no Paraíso, passando pela Torre de Babel, acensão e queda do Império Romano, formação das grandes dinastias europeias e orientais, grandes navegações, invenção da máquina a vapor… figuras e linhagens vão se desenrolando até chegar ao fim apoteótico do mapa: os primeiros presidentes dos Estados Unidos da América.

Adams' Synchronological Chart of Universal History. David Rumsay Map Collection. [Detalhe]
Adams’ Synchronological Chart of Universal History. David Rumsay Map Collection. [Detalhe]
Terreno rico para reflexões sobre as formas pelas quais as diferentes sociedades humanas constroem e representam suas narrativas – como por exemplo as de [2], [3] ou [4] (referências abaixo).

Adams' Synchronological Chart of Universal History. David Rumsay Map Collection. [Detalhe]
Adams’ Synchronological Chart of Universal History. David Rumsay Map Collection. [Detalhe]
O Mapa, projeto visionário do norte-americano Sebastian Adams, foi lançado em diversas edições entre 1871 e 1885, inicialmente como edição independente financiada por assinantes e ao final como grande sucesso de vendas (cf. [2]). Era composto na forma de um livro de cerca de setenta centímetros de altura contendo uma faixa de sete metros de comprimento – e podia ser visualizado no próprio livro, abrindo-se a faixa por partes; ou a faixa podia ser retirada e pendurada em (grandes) paredes.

Hoje ainda é possível comprar algumas edições originais do livro de Adam em leilões, algumas edições posteriores em sebos norte-americanos, como essa, ou mesmo reproduções recentes da faixa separada.

Imagem 082
Adams’ Synchronological Chart of Universal History. David Rumsay Map Collection.

Recentemente uma edição digital do mapa foi lançada pelo site da coleção David Rumsay [5], de onde vem as figuras que ilustram o post. A edição digital é muito boa, com uma reprodução em alta definição, na qual é possível examinar o mapa com muito detalhe.

Por  outro lado, não se tem uma boa visão geral do mapa, pois naturalmente a faixa inteira, com seus sete metros de comprimento, só cabe na tela de um computador em dimensões muito reduzidas.

Fica, assim, para os olhos da nossa mente visualizar a expressão no rosto de uma criança nos idos de 1890 ao abrir um livro desses e ir desdobrando aos poucos aquele papel infinito cheio de figuras de armas e navios, e a vertigem de uma outra criança ao rodar as paredes de uma sala de escola vendo sucederem-se tantos nomes de reis.

Referências e sugestões de leitura:

[1] Adams, Sebastian C. Adams’ Synchronological Chart of Universal History. Through the Eye to the Mind. A Chroesnological chart of Ancient, Modern and Biblical History, Synchronized by Sebastian C. Adams. Third Edition and Twelfth-Thousand carefully and critically revised and brought down to 1878. Colby & Co. Publishers, 39 Union Square, New York. The Strowbridge Lithographing Company, Cincinnati, O. Entered According to Act of Congress in the Year A.D. 1871, by S.C. Admas, in the Office of the Librarian of Congress at Washington, D.C.

[2] Rosenberg, Daniel & Grafton, Anthony. Cartographies of Time: A History of the Timeline. Princeton Architectural Press, 2013.

[3] Popova, Maria. Cartographies of Time – A chronology of one of our most inescapable metaphors, or what Macbeth has to do with Galileo. 02/07/2012. http://www.brainpickings.org/index.php/2012/02/07/cartographies-of-time/

[4] Friendly, Michael; Sigal, Matthew; Harnanansingh, Derek. The Milestones Project: A Database for the History of Data Visualization. http://datavis.ca/papers/MilestonesProject.pdf

[5] (Composite of) Adams’ Synchronological Chart of Universal History. Edição Digital, David Rumsay Collection. http://www.davidrumsey.com/luna/servlet/detail/RUMSEY~8~1~226099~5505934:-Composite-of–Adams–Synchronologi

[6] Nàdia Revenga, Nàdia. Mapas y líneas del tiempo: propuestas de visualización de la información contenida en la base de datos CATCOM. http://www.uqtr.ca/TEATRO/teapal/TeaPalNum07Rep/05RevengaNadia.pdf

 

Marco Civil da Internet e Neutralidade da Rede – para entender o debate

"Internet Livre". Fonte: http://www.facebook.com/MarcoCivilJa/photos
“Internet Livre”. Fonte: http://www.facebook.com/MarcoCivilJa/photos

Os debates em torno do “Marco Civil da Internet” tem sido intensos no Brasil desde que começaram as negociações em torno da votação do Projeto de Lei 2126, de 2011  (cf. [13]) – e, tanto nas mídias tradicionais como nos blogs e redes sociais, há muito que ler sobre o assunto. Como é provável que a votação do Projeto no Congresso aconteça nesta semana (cf. [9]), preparei aqui uma seleção de artigos, debates e entrevistas sobre o tema.

Mas “… o que o Marco Civil e a Neutralidade da Rede tem a com as Humanidades Digitais?“. [Leia mais em http://hdbr.hypotheses.org/4863]

DHandES 2014 – Digital Humanities and e-Science

AHDig

DHandes_quadrado Estão abertas as inscrições para o DHandEs 2014 , o 1o Workshop  sobre Humanidades Digitais e e-Science, organizado com o apoio da AHDig . O Workshop acontecerá entre 20 e 21 de Outubro de 2014, como parte da programação da e-Science 2014 , a 10a Conferência Internacional sobre e-Science do IEEE, Institute of Electrical and Electronics Engineers, na cidade do Guarujá, no Brasil.

O Workshop é motivado pela constatação de que há uma intersecção entre as “Humanidades Digitais” e a “e-Science”, ainda que as respectivas comunidades de práticas nem sempre concordem quanto à extensão e forma desse espaço comum (cf. por exemplo [1], [2] e [3], referências abaixo).

A ideia do encontro é explorar esse terreno comum, expandindo-o. Para isso, o workshop pretende reunir e debater pesquisas em diferentes áreas das Humanidades e das Ciências Sociais com participação intensiva de recursos…

Ver o post original 233 mais palavras

Humanidades Digitais em hypotheses.org

Postado originalmente em http://hdbr.hypotheses.org /

http://hypotheses.orgNeste mês de março de 2014, o Grupo de Pesquisas Humanidades Digitais inaugura um novo espaço de blog, http://hdbr.hypotheses.org, na plataforma Hypotheses.

A migração do espaço de blog do Grupo para a plataforma Hypotheses é motivo de muito orgulho.  A Hypotheses faz parte do portal OpenEdition, do Centre pour l’édition électronique ouverte (Cléo –  unidade que congrega o CNRS, o EHESS, a Universidade Aix-Marseille e a Universidade de Avignon), que abriga ainda a plataforma de periódicos Revues.org, e a agenda Calenda (cf. http://hypotheses.org/about).

Os blogs participantes da Hypotheses devem passar pelo crivo de uma Comissão Acadêmica, e podem receber seu próprio ISSN, o International Standard Serial Number, código de registro bibliométrico associado a publicações periódicas. A atribuição de ISSN a publicações do tipo blog é inédita, constituindo uma conquista inovadora da iniciativa OpenEdition: significa, na realidade, o reconhecimento dos blogs da plataforma como publicações científicas (cf. [1] e [2], referências abaixo)

A iniciativa Hypotheses, de fato, traz à baila questões extremamente relevantes para os debates mais recentes sobre as mudanças nos hábitos de publicação acadêmica.

Tradicionalmente, a expressão “publicação acadêmica” é usada para fazer referência a livros, artigos publicados em periódicos sujeitos a revisão por pares, etc. Entretanto, nos últimos anos, é cada vez mais intenso o recurso a formas “alternativas” de publicação – tais como, e emblematicamente, os blogs – por parte de pesquisadores de diversas áreas do conhecimento (cf. por exemplo [3], referências abaixo).

É esse certamente o caso das áreas ligadas às “Humanidades Digitais”, campo cuja expressão mais característica se dá de fato no ambiente virtual. Com efeito, é possível dizer que o ambiente de divulgação e diálogo das Humanidades Digitais são os espaços dos blogs, sites e redes sociais, que formam assim o cerne da reflexão no campo.

Entretanto, o recurso aos blogs como forma de publicação acadêmica traz diversas questões, como tem sido intensamente discutido por diferentes pesquisadores. A mais flagrante, certamente, é a questão da “valoração” do material assim publicado – ou seja, que valor a comunidade de pesquisas, as instâncias de avaliação de carreira, e mesmo as agências de fomento à pesquisa atribuem à publicação nesses novos espaços de comunicação, como blogs, sites ou redes sociais?

Do intenso debate em torno desse problema (cf. por exemplo [4] , [5], [6] e [7], referências abaixo), tem se destacado a ideia de que a curadoria desses espaços pode ser um caminho para seu reconhecimento como abrigo de materiais científicos de qualidade.

É nesse sentido, de fato, que a iniciativa Hypotheses se destaca como pioneira e relevante. Contando atualmente com 829 blogs, editados por pesquisadores de 30 países (em 10 línguas), a plataforma pode ser considerada um marco na direção da consolidação dos blogs acadêmicos como instâncias democráticas, acessíveis e socialmente sadias de divulgação do conhecimento – e, ao mesmo tempo, como formas respeitáveis de reflexão acadêmica.

Daí, portanto, a satisfação que sentimos, em nosso Grupo de Pesquisas, pela inauguração desse novo espaço de blog.

Esperamos poder compartilhar esse sentimento com os leitores que vem nos acompanhando desde o lançamento do blog em http://humanidadesditais.org (endereço que continuará abrigando nossas páginas fixas e de projetos), e com novos leitores na nova plataforma. Assumimos, com todos eles, o compromisso de construir um espaço de reflexões e debates de interesse.

_______________________________

Para saber mais sobre Hypotheses e
sobre a “blogagem acadêmica”:

[1] Muscinesi, Frédérique. Des ISSN pour les carnets d’Hypotheses.org. 22/06/2011, http://leo.hypotheses.org/6962

Trecho:
“L’apparition des ISSN dans Hypotheses.org contribue à la fois à développer sa spécificité scientifique et à offrir une meilleure valorisation des carnets auprès des acteurs et des utilisateurs des publications électroniques.”

[2] Muscinesi, Frédérique. Hypotheses.org, une infrastructure pour les Digital Humanities. Digital Humanities 2012, Abstracts.  http://www.dh2012.uni-hamburg.de/conference/programme/abstracts/hypothesesorg-une-infrastructure-pour-les-digital-humanities/

[3] Charpentier, 2014. Blogging in Academia, A Personal Experience. SSRN Working Papers. http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2398377Também em: http://freakonometrics.hypotheses.org/12660

Trecho:
With Internet (emails, blogs, forums, etc), academics now have new mediums to communicate, either within their own community (and launch participative projects), or outside their community. Academic blogs are one medium, among many others. As explained in Gregg (2006), “blogs have made scholarly work accessible and accountable to a readership outside the academy“. From an insider’s perspective, blogs seem to be extremely popular, because bloggers are active, sharing links, comments, discussions, etc. In 2007, George Siemens was already enthusiastic: “it’s great to see research-focused academics entering the blog space” (see Siemens (2007))“.

[4] Koh, Adeline. The Challenges of Digital Scholarship – A Report on the MLA Preconference on Evaluating Digital Work for Promotion and Tenure. The Chronicle of Higher Education. 25 January 2012. http://chronicle.com/blogs/profhacker/the-challenges-of-digital-scholarship/38103

Trecho:
“The call to seriously consider forms of new media such as blogging, YouTube and Twitter as part of academic scholarship is growing louder and louder. In the wake of the January Modern Language Association meeting in Seattle, Kathleen Fitzpatrick (@kfitz), the director of the MLA office of scholarly communication, blogged that people are writing in larger volumes and frequency, but in new digital forms such as email, blog posts and twitter: “I would argue that the challenge we face today in our encounter with the digital future of our fields does not come from a media culture, or a student population that refuses writing; instead, it lies in the need to recognize that the forms of writing that engage so many today are writing, and to figure out how to put those forms to work for us, rather than dismissing them as inherently frivolous and degraded.” Fitzpatrick urged academics to consider how these forms of writing should extend past the classroom to change our understanding of scholarship for the 21st century. If we do, how will we evaluate these new forms of scholarly exchange for tenure and promotion?” 

[5] Fitzpatrick, Kathleen. Evolving standards and practices in tenure and promotion reviews. 11/02/2014. http://www.plannedobsolescence.net/blog/evolving-standards-and-practices-in-tenure-and-promotion-reviews/

Trechos:
“Change comes slowly to the academy, and often for good reason, but we find ourselves at a moment in which uneven development has become a bit of a problem. Some faculty practices with respect to scholarly work have in recent years changed faster than have the ways that work gets evaluated. If we don’t make a considered effort to catch our review processes up to our research and communication practices, we run the risk of stifling innovation in the places we need it most.”
(…)
“Scholars today are communicating with one another and making their work public in a range of ways that were only beginning to flicker into being in 2002. Many faculty maintain rich scholarly blogs, either on their own or as part of larger collectives, through which they are publishing their work; others are working on a range of small- and large-scale corpus building, datamining, mapping, and visualization projects, all of which seek to present the results of scholarly research and engagement in rich interactive formats. Projects in a wide range of digitally-inflected fields across the humanities, sciences, and social sciences are both using and developing a host of new methodologies, both for research and for the communication of the results of that research. And these projects are not just transforming their fields, but also creating a great deal of interest in scholarly work amongst the broader public.”
(…)
“The fact of the matter is that scholarly communication itself is in a period of profound change, profound enough that change itself is the only certainty”.

[6] Fitzpatrick, Kathleen. Planned Obsolescence: Publishing, Technology, and the Future of the Academy. NYU Press, 2011. Também em http://mcpress.media-commons.org/plannedobsolescence/

[7] Fitzpatrick, Kathleen; Santo, Avi. Open Review: A Study of Contexts and Practices. The Andrew W. Mellon Foundation White Paper, 2012. http://mcpress.media-commons.org/open-review/files/2012/06/MediaCommons_Open_Review_White_Paper_final.pdf.

 

DH 2014

Estão abertas as inscrições para a DH 2104 , a conferência internacional anual da  Alliance of Digital Humanities Organizations (ADHO , http://digitalhumanities.org), a ser realizada entre 8 e 11 de Julho.

Realizada ininterruptamente desde 1990, a DH é o evento mais importante do campo das Humanidades Digitais; neste ano,  a conferência será realizada em Lausanne, na Suíça, como iniciativa conjunta da ADHO, da Universidade de Lausanne e da Ecole Polytechnique Fédérale de Lausanne.

Mais informações no site: http://dh2014.org/ .

dh201410

Digitalização como tradução material: A tipografia líquida de ‘The Art of Google Books’

Tabelas que se contorcem, linhas de texto que ondulam como um rio ao longo da página, tipos que crescem e diminuem num balé entontecedor: essa é a beleza das imagens destacadas em The Art of Google Books. Ali, a artista plástica Krissy Wilson extrai, das “falhas técnicas” da digitalização do gigante Google, uma poesia: a poesia da quebra da opacidade pretendida pela representação digital.

http://theartofgooglebooks.tumblr.com
Página de “A Prognostication of Right Good Effect, Fructfully Augmented Contayninge Playne, Briefe, Pleasant, Chosen Rules”, 1555. Em The Art of Google Books, http://theartofgooglebooks.tumblr.com/ – 30/09/2013

É como se, ao longo de uma leitura que já se fazia confortável, subitamente, pelo encontro de uma dessas “falhas”, fossemos acordados do nosso sonho de estar lendo um livro renascentista sobre a previsão do tempo, e percebessemos por um breve instante, meio chocados, que estávamos apenas diante de uma representação do livro. Esse atordoamento provocado pela falha faz um corte no fluxo estável programado para a nossa fruição do objeto representado, e nos faz ver, através do corte, as entranhas do processo que tentou trazer aquele livro para a sala da nossa casa, percorrendo quilômetros de terra (e mar) e cinco séculos de tempo.

http://books.google.com.br/books?id=PXAaAQAAMAAJ
Página de “A Prognostication of Right Good Effect, Fructfully Augmented Contayninge Playne, Briefe, Pleasant, Chosen Rules”, 1555. Screenshot de http://books.google.com.br/books?id=PXAaAQAAMAAJ

As imagens destacadas pela artista entre as muitas falhas que podemos observar em páginas de livros escaneados nos remetem à delicada relação entre os objetos “digitalizados” e seus originais, sucitando a pergunta: o que estamos fazendo, afinal, quando digitalizamos livros impressos? A digitalização, mais que uma simples cópia, é uma representação, um processo de reprodução que envolve uma profunda transformação no objeto representado.

http://theartofgooglebooks.tumblr.com/
Página de “A Prognostication of Right Good Effect, Fructfully Augmented Contayninge Playne, Briefe, Pleasant, Chosen Rules”, 1555. Em The Art of Google Books, http://theartofgooglebooks.tumblr.com/ – 30/09/2013

O meio digital tem propriedades fundamentalmente distintas do meio a que pertenciam os objetos que se pretende representar, e na ponte entre um e outro meio reside a arte da representação pela digitalização. No campo da crítica textual, ainda não se formou um vocabulário técnico respeitável para lidarmos com essa nova forma de “cópia”. Eu mesma já propus o termo “Tradução Material” [i], sugerindo que a relação entre o objeto digital e seu original é semelhante à relação entre um texto traduzido e seu original. São e não são “o mesmo texto”: e a ilusão da similitude, quando obtida, é simplesmente a manifestação mais clara do bom resultado da representação – assim como, em um texto bem traduzido de uma língua para outra, o efeito da língua original se oblitera, foge à nossa percepção, pela boa arte do tradutor. Assim, nesses dois processos de tradução está em jogo a arte de produzir a ilusão da não-representação. Nesse sentido, quanto mais um livro digitalizado apresentar-se “igual” ao objeto impresso, maior terá sido o esforço da representação – mais perto se terá chegado da opacidade pretendida pela técnica.

Nesse sentido é que o olhar de Wilson em The Art of Google Books é singular. A artista enxergou, nas páginas distorcidas dos livros digitalizados, a brecha da “tradução manca”: aquele ponto de “erro” que nos revela o processo que quer operar na opacidade da perfeição técnica – a fábrica de representações se revelando transparente, como se revelaria um feixe de luz que se quisesse cobrir com um tecido fino demais.

http://theartofgooglebooks.tumblr.com
Página de “A Prognostication of Right Good Effect, Fructfully Augmented Contayninge Playne, Briefe, Pleasant, Chosen Rules”, 1555. Em The Art of Google Books, http://theartofgooglebooks.tumblr.com/ – 30/09/2013

Podemos ainda, é claro, ver a coleção de imagens reunida pela artista como um alerta sobre a baixa qualidade dos procedimentos adotados pela gigante corporativa Google em seu projeto de digitalização massificada e global (a própria artista reconhece que sua iniciativa pode ser abordada neste viés, em recente entrevista à coluna Art Beat).

Outros observadores da “arte das falhas” também incluem esse viés crítico. Destacaríamos, aqui, o fantástico “Google Hands“, de Benjamin Shaykin – livro inteiramente dedicado às imagens surreais e perturbadoras de mãos sobre páginas de livros digitalizados coletadas pelo artista.

http://www.newyorker.com/online/blogs/books/2013/12/the-art-of-google-book-scan.html
“Special Collection”, 2009. Benjamin Shaykin. Photo by the Library of the Printed Web. Disponível em http://www.newyorker.com/online/blogs/books/2013/12/the-art-of-google-book-scan.html

As imagens do livro de Shaykin parecem levar a um corte ainda mais violento que o das tabelas dançantes – pois, aqui, já não se trata simplesmente de uma distorção revelando o efeito da tradução material, mas sim da interferência brutal de um objeto externo ao livro, mostrando-nos, muito cruamente, o caráter de “fábrica de imagens” por trás do Google Books.

Segundo  esta ótima matéria na revista The New Yorker, já se pode falar em uma subcultura de colecionadores de “Google Hands”, artistas e observadores obcecados, como Shaykin, na reunião dessas imagens. As “Google Hands“, entretanto,  são apenas o lado mais visível dos efeitos da digitalização em massa sobre a qualidade do material digitalizado hoje disponível na rede mundial de computadores.

Temos, hoje, um volume inacreditável de livros à disposição para leitura, transmutados de seus suportes originais para dentro das telas dos nossos computadores pessoais. Os lados positivos desse processo nem precisam ser mencionados; mas, como saldo negativo, temos os problemas de qualidade que surgiram com o aumento no ritmo das digitalizações. A qualidade das imagens é apenas um deles (nem começaremos, aqui, a mencionar o problema da qualidade da catalogação dos livros).

The Art of Google Books, entretanto, consegue olhar esse universo com arte e delicadeza – é um álbum que vale a visita.

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[i] PAIXÃO DE SOUSA, M. C. Humanidades Digitais: O digital e as novas formas de construção do conhecimento. Comunicação ao Seminário Internacional Sistemas de Informação e Acervos Digitais de Cultura. São Paulo, 12 de março de 2013. Gravado em vídeo – Canal da Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, 
http://youtu.be/m0s-iAfZPDE

Vídeos do I Seminário Internacional em Humanidades Digitais no Brasil

Os vídeos com as comunicações realizadas durante o I Seminário Internacional em Humanidades Digitais no Brasil“, entre 23 e 25 de outubro de 2013, na Universidade de São Paulo, acabam de ser anunciados pela Comissão Organizadora do evento.

O material contém a íntegra das 20 conferências e mesas, e está disponível como uma playlist no canal Humanidades Digitais, ,HD.br, no YouTube:

As gravações foram feitas durante o Seminário, conforme divulgação na época, com o intuito principal de serem transmitidas ao vivo. Por isso, e também porque o auditório não opera ainda em sua plena capacidade, a qualidade das imagens está longe da ideal, como poderão notar. Entretanto, o áudio está muito bom e é possível ter pleno acesso ao conteúdo discutido.

Assim, e tendo em vista os inúmeros e constantes pedidos acerca da divulgação das palestras e das comunicações, a Comissão acreditou que valeria a pena anunciar esse conteúdo, pedindo desculpas pela baixa qualidade das imagens.

Antecipadamente agradecemos o seu interesse!

Bruna e Maria Clara,
pela Comissão Organizadora do
I Seminário Internacional em Humanidades Digitais no Brasil
http://seminariohumanidadesdigitais.wordpress.com/

(Segue, também, a lista completa dos vídeos contidos na playlist, pela ordem da apresentação no Seminário):

“Antigas páginas acadêmicas…”

revista_de_medicina
Revista de Medicina, 1916, Volume 1, numero 2. Capa. Disponivel em http://www.revistas.usp.br/revistadc/issue/view/5028

 Antigas páginas acadêmicas: Portal da USP traz a coleção completa de algumas das primeiras revistas científicas editadas em suas faculdades | Revista Pesquisa Fapesp, ed. 213 – Novembro de 2013 – Marcos Pivetta

Artigo na Revista Fapesp deste mês aborda o projeto de digitalização das primeiras revistas científicas da Universidade de São Paulo: “Neste mês de novembro o Portal de Revistas da Universidade de São Paulo (USP) torna disponível na internet a coleção completa de alguns dos primeiros periódicos científicos produzidos por faculdades dessa instituição. Os títulos mais velhos remontam ao fim do século XIX ou ao começo do XX e alguns foram lançados por unidades acadêmicas que existiam antes do advento da USP, em 1934, e à universidade foram incorporadas no momento de sua criação. No endereço www.revistas.usp.br poderão ser encontrados todos os números de periódicos como a Revista da Faculdade de Direito de São Paulo – a mais antiga da coleção, que começou a ser editada em 1893 e permanece até hoje viva – ou a Revista de Medicina, da Faculdade de Medicina, criada em 1916 e igualmente ainda impressa“. Leia o artigo completo na Revista Pesquisa Fapesp.

Associações em Humanidades Digitais: alguns exemplos

Este post no blog da AHDig – Associação das Humanidades Digitais, que republicamos aqui, traz um balanço sobre as diferentes formas de associações em Humanidades Digitais no mundo.

“Quais são, onde estão, e como funcionam as “Associações em Humanidades Digitais” no mundo?

Essas perguntas movem uma pesquisa que estamos realizando, no âmbito da AHDig, como uma das primeiras medidas no sentido de dar forma e corpo à nossa recém-criada rede de pesquisas.

Aqui mostramos alguns resultados preliminares da nossa investigação – ressaltando, antes de tudo, que essas são  perguntas difíceis de serem respondidas, pois os agrupamentos formados em torno desse campo parecem tomar formas tão variadas quantas são as concepções em torno do próprio campo.

De um modo geral, vemos que as diversas Associações procuram aglutinar, definir e de alguma maneira “chancelar” as iniciativas em Humanidades Digitais, e podem tanto tomar a forma de sociedades científicas tradicionais como funcionar como redes virtuais sem existência jurídica ou formal.

Um grande impulso no sentido de um agrupamento global das associações em humanidades digitais foi a criação da ADHO,Alliance of Digital Humanities Organizations (ADHO),http://ahdo.org, organização que congrega as diversas iniciativas em Humanidades Digitais desde 2002. A ADHO lista as seguintes Associações como membros constitutivos:…” [Ler mais em Associações em Humanidades Digitais: alguns exemplos ]