Humanidades Digitais em hypotheses.org

Postado originalmente em http://hdbr.hypotheses.org /

http://hypotheses.orgNeste mês de março de 2014, o Grupo de Pesquisas Humanidades Digitais inaugura um novo espaço de blog, http://hdbr.hypotheses.org, na plataforma Hypotheses.

A migração do espaço de blog do Grupo para a plataforma Hypotheses é motivo de muito orgulho.  A Hypotheses faz parte do portal OpenEdition, do Centre pour l’édition électronique ouverte (Cléo –  unidade que congrega o CNRS, o EHESS, a Universidade Aix-Marseille e a Universidade de Avignon), que abriga ainda a plataforma de periódicos Revues.org, e a agenda Calenda (cf. http://hypotheses.org/about).

Os blogs participantes da Hypotheses devem passar pelo crivo de uma Comissão Acadêmica, e podem receber seu próprio ISSN, o International Standard Serial Number, código de registro bibliométrico associado a publicações periódicas. A atribuição de ISSN a publicações do tipo blog é inédita, constituindo uma conquista inovadora da iniciativa OpenEdition: significa, na realidade, o reconhecimento dos blogs da plataforma como publicações científicas (cf. [1] e [2], referências abaixo)

A iniciativa Hypotheses, de fato, traz à baila questões extremamente relevantes para os debates mais recentes sobre as mudanças nos hábitos de publicação acadêmica.

Tradicionalmente, a expressão “publicação acadêmica” é usada para fazer referência a livros, artigos publicados em periódicos sujeitos a revisão por pares, etc. Entretanto, nos últimos anos, é cada vez mais intenso o recurso a formas “alternativas” de publicação – tais como, e emblematicamente, os blogs – por parte de pesquisadores de diversas áreas do conhecimento (cf. por exemplo [3], referências abaixo).

É esse certamente o caso das áreas ligadas às “Humanidades Digitais”, campo cuja expressão mais característica se dá de fato no ambiente virtual. Com efeito, é possível dizer que o ambiente de divulgação e diálogo das Humanidades Digitais são os espaços dos blogs, sites e redes sociais, que formam assim o cerne da reflexão no campo.

Entretanto, o recurso aos blogs como forma de publicação acadêmica traz diversas questões, como tem sido intensamente discutido por diferentes pesquisadores. A mais flagrante, certamente, é a questão da “valoração” do material assim publicado – ou seja, que valor a comunidade de pesquisas, as instâncias de avaliação de carreira, e mesmo as agências de fomento à pesquisa atribuem à publicação nesses novos espaços de comunicação, como blogs, sites ou redes sociais?

Do intenso debate em torno desse problema (cf. por exemplo [4] , [5], [6] e [7], referências abaixo), tem se destacado a ideia de que a curadoria desses espaços pode ser um caminho para seu reconhecimento como abrigo de materiais científicos de qualidade.

É nesse sentido, de fato, que a iniciativa Hypotheses se destaca como pioneira e relevante. Contando atualmente com 829 blogs, editados por pesquisadores de 30 países (em 10 línguas), a plataforma pode ser considerada um marco na direção da consolidação dos blogs acadêmicos como instâncias democráticas, acessíveis e socialmente sadias de divulgação do conhecimento – e, ao mesmo tempo, como formas respeitáveis de reflexão acadêmica.

Daí, portanto, a satisfação que sentimos, em nosso Grupo de Pesquisas, pela inauguração desse novo espaço de blog.

Esperamos poder compartilhar esse sentimento com os leitores que vem nos acompanhando desde o lançamento do blog em http://humanidadesditais.org (endereço que continuará abrigando nossas páginas fixas e de projetos), e com novos leitores na nova plataforma. Assumimos, com todos eles, o compromisso de construir um espaço de reflexões e debates de interesse.

_______________________________

Para saber mais sobre Hypotheses e
sobre a “blogagem acadêmica”:

[1] Muscinesi, Frédérique. Des ISSN pour les carnets d’Hypotheses.org. 22/06/2011, http://leo.hypotheses.org/6962

Trecho:
“L’apparition des ISSN dans Hypotheses.org contribue à la fois à développer sa spécificité scientifique et à offrir une meilleure valorisation des carnets auprès des acteurs et des utilisateurs des publications électroniques.”

[2] Muscinesi, Frédérique. Hypotheses.org, une infrastructure pour les Digital Humanities. Digital Humanities 2012, Abstracts.  http://www.dh2012.uni-hamburg.de/conference/programme/abstracts/hypothesesorg-une-infrastructure-pour-les-digital-humanities/

[3] Charpentier, 2014. Blogging in Academia, A Personal Experience. SSRN Working Papers. http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2398377Também em: http://freakonometrics.hypotheses.org/12660

Trecho:
With Internet (emails, blogs, forums, etc), academics now have new mediums to communicate, either within their own community (and launch participative projects), or outside their community. Academic blogs are one medium, among many others. As explained in Gregg (2006), “blogs have made scholarly work accessible and accountable to a readership outside the academy“. From an insider’s perspective, blogs seem to be extremely popular, because bloggers are active, sharing links, comments, discussions, etc. In 2007, George Siemens was already enthusiastic: “it’s great to see research-focused academics entering the blog space” (see Siemens (2007))“.

[4] Koh, Adeline. The Challenges of Digital Scholarship – A Report on the MLA Preconference on Evaluating Digital Work for Promotion and Tenure. The Chronicle of Higher Education. 25 January 2012. http://chronicle.com/blogs/profhacker/the-challenges-of-digital-scholarship/38103

Trecho:
“The call to seriously consider forms of new media such as blogging, YouTube and Twitter as part of academic scholarship is growing louder and louder. In the wake of the January Modern Language Association meeting in Seattle, Kathleen Fitzpatrick (@kfitz), the director of the MLA office of scholarly communication, blogged that people are writing in larger volumes and frequency, but in new digital forms such as email, blog posts and twitter: “I would argue that the challenge we face today in our encounter with the digital future of our fields does not come from a media culture, or a student population that refuses writing; instead, it lies in the need to recognize that the forms of writing that engage so many today are writing, and to figure out how to put those forms to work for us, rather than dismissing them as inherently frivolous and degraded.” Fitzpatrick urged academics to consider how these forms of writing should extend past the classroom to change our understanding of scholarship for the 21st century. If we do, how will we evaluate these new forms of scholarly exchange for tenure and promotion?” 

[5] Fitzpatrick, Kathleen. Evolving standards and practices in tenure and promotion reviews. 11/02/2014. http://www.plannedobsolescence.net/blog/evolving-standards-and-practices-in-tenure-and-promotion-reviews/

Trechos:
“Change comes slowly to the academy, and often for good reason, but we find ourselves at a moment in which uneven development has become a bit of a problem. Some faculty practices with respect to scholarly work have in recent years changed faster than have the ways that work gets evaluated. If we don’t make a considered effort to catch our review processes up to our research and communication practices, we run the risk of stifling innovation in the places we need it most.”
(…)
“Scholars today are communicating with one another and making their work public in a range of ways that were only beginning to flicker into being in 2002. Many faculty maintain rich scholarly blogs, either on their own or as part of larger collectives, through which they are publishing their work; others are working on a range of small- and large-scale corpus building, datamining, mapping, and visualization projects, all of which seek to present the results of scholarly research and engagement in rich interactive formats. Projects in a wide range of digitally-inflected fields across the humanities, sciences, and social sciences are both using and developing a host of new methodologies, both for research and for the communication of the results of that research. And these projects are not just transforming their fields, but also creating a great deal of interest in scholarly work amongst the broader public.”
(…)
“The fact of the matter is that scholarly communication itself is in a period of profound change, profound enough that change itself is the only certainty”.

[6] Fitzpatrick, Kathleen. Planned Obsolescence: Publishing, Technology, and the Future of the Academy. NYU Press, 2011. Também em http://mcpress.media-commons.org/plannedobsolescence/

[7] Fitzpatrick, Kathleen; Santo, Avi. Open Review: A Study of Contexts and Practices. The Andrew W. Mellon Foundation White Paper, 2012. http://mcpress.media-commons.org/open-review/files/2012/06/MediaCommons_Open_Review_White_Paper_final.pdf.

 

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