Políticas das questões

http://dp.la/info/about/history/

O projeto da Biblioteca Pública Digital Americana (ou DPLA, sigla para Digital Public Library of America) irá estabelecer, uma vez implantado,  novos paradigmas para a digitalização de acervos públicos.

Esta e algumas outras questões relevantes se colocam durante a entrevista concedida por Robert Darnton – diretor da Biblioteca da Universidade de Harvard –  ao jornal Folha de São Paulo.

A questão do estabelecimento de novos paradigmas, ainda que não seja o principal aspecto abordado na entrevista, pode determinar decisivamente como o acesso ocorrerá na prática. Entretanto, o que mais chama a atenção nessa entrevista é a forma como o projeto DPLA se realizará, ou seja, que políticas públicas serão adotadas para concatenar questões como direito autoral, digitalização, disponibilização de acervo e etc.

Outra questão que a entrevista levanta é a oposição que ocorrerá entre os projetos Google Books e o DPLA, uma vez que o primeiro projeto é voltado para o lucro e o segundo, não – ou seja, em outras palavras esses dois projetos representarão faces opostas em um mesmo contexto: disponibilização e acesso em acervos digitais.

É evidente que a entrevista suscita uma série de considerações, dentre outras, esta especificamente nos encaminha a uma interessante conclusão, ainda que não mencione a problemática: a necessidade urgente de uma espécie de curadoria de conteúdos para os acervos digitalizados.

A digitalização de inúmeros acervos residentes em uma infinidade de instituições exige uma espécie de curadoria, não a mesma que se aplicaria a exposições físicas e também não a mesma classificação de uma biblioteca e/ou instituição. A profusão de informações a que é possível se ter acesso na internet se assemlha muito a um turbilhão. De modo que algum tipo de curadoria, que não só contextualizasse as informações, mas também as abrigasse sob eficazes eixos temáticos, se torna absolutamente necessário.

Entretanto, a problemática que não se delineia é justamente essa voltada à perspectiva da curadoria em acervos digitalizados. Uma operação interessante seria realmente estabelecer eixos temáticos entre os vários títulos e materiais (mapas e etc.) digitalizados. Além disso, o ideal seria estabelecer diálogos entre diferentes acervos, pois é de conhecimento geral que diferentes edições de uma mesma obra se encontram em diferentes acervos. Uma interessante e necessária vertente de pesquisa que se delineia é a de estudar e avaliar como foram catalogados e digitalizados esses materiais que representam diferentes faces de um mesmo evento/fato/acontecimento.

No limite, é sempre necessário manter no horizonte que ao final da digitalização do acervo, a etapa final – pensando na disseminação do conhecimento e no espalhamento das informações – na verdade ocorrerá apenas quando o usuário delas fizer uso. Portanto se configura como de extrema relevância a maneira/forma como se digitalizou e se catalogou aquela determinada informação e/ou conteúdo. Por essa razão a opção de se estruturar eixos temáticos se coloca como necessária ao fluxograma da digitalização, enquanto processo.

Como a própria entrevista acima sugere, existem muitos envolvidos nesse grandioso projeto, fruto da iniciativa de instituições privadas; e este é justamente o ponto crucial: a gestão por parte de instituições privadas da digitalização de acervos públicos, operação que trará decisivas e desconhecidas consequências, que também se configurarão como uma outra interessante perspectiva para se analisar e compreender o acervo digitalizado e, prinicipalmente, a maneira como será disponibilizado; além disso, sobretudo, sem esquecer como o conteúdo nele contido será publicado na rede mundial. Entende-se que toda e qualquer circusntância, nesse contexto, representa inovadores e originais desdobramentos para o projeto como um todo.

Sem dúvida o Projeto DPLA é ansiosamente aguardado, entretanto, também serão esses tais previsíveis e inimagináveis desdobramentos.

Veja mais em:

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/1231427-o-acervo-digital-dos-estados-unidos-vem-ai.shtml

Imagem destacada:

DPLA, http://dp.la/info/about/history/

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Pelo direito de deletar seus dados …

Postar este vídeo aqui no blog de Humanidades Digitais pode parecer despropositado, mas não é. Explico o porquê.

Vou partir do óbvio: dados pertencem a alguém, este alguém – o possuidor – decide a quem disponibiliza, como e por quanto tempo. Antes da popularização das redes sociais, é possível que a palavra ‘dados’ remetesse apenas a instituições e órgãos regulamentadores. Bem, talvez antigamente órgãos institucionais fossem os únicos a se preocupar com armazenagem, acesso e etc de uma infinidade de tipos de dados. O que se observa depois da popularização das redes sociais é que os ‘dados’ estão sendo armazenados de uma outra forma, e além disso, o acesso a eles também se realiza de uma outra forma bem peculiar. E é justamente essa uma das questões que este vídeo levanta. Continue Lendo “Pelo direito de deletar seus dados …”

“Quietly, Google puts History Online” | New York Times

Quietly, Google Puts History Online

New York Times
Eric Pfanner,
20/11/2011

Museu de Israel
Site com os manuscritos do Mar Morto no Museu de Israel, citado na reportagem

Este artigo sobre os projetos de digitalização de arquivos memoriais pela empresa Google traz diversos pontos importantes para os debates em torno das Humanidades Digitais. Em especial, poderíamos destacar a pergunta realizada pelo autor, Eric Pfanner: Continue Lendo ““Quietly, Google puts History Online” | New York Times”