Inteligência, criatividade, computação e ciência

Diagrama em: Samuel R. Wells. How To Read Character: A New Illustrated Handbook Of Phrenology And Physiognomy, For Students And Examiners; With A Descriptive Chart. Fowles & Wells: New York, 1873. hpp://commons.wikimedia.org/wiki/File:Phrenologychart.png; Domínio Público.
Diagrama em: Samuel R. Wells. How To Read Character: A New Illustrated Handbook Of Phrenology And Physiognomy, For Students And Examiners; With A Descriptive Chart. Fowles & Wells: New York, 1873.

As fronteiras entre as assim chamadas ciências “exatas“, “naturais” e “humanas” tem perdido a nitidez em diversos campos de investigação; é certamente esse o caso da “Inteligência Artificial”. Um debate recente entre o linguista Noam Chomsky e Peter Norvig, diretor de pesquisas da Google, mostra os desafios epistemológicos deste campo de estudos dedicado à compreensão dos mecanismos da inteligência, e toca em alguns pontos interessantes para a reflexão sobre a relação entre as humanidades e as tecnologias computacionais, e quem vem sendo levantados também por algumas vozes críticas no campo das Humanidades Digitais. 

A polêmica teve início com a fala de Chomsky em um simpósio sobre Inteligência Artificial em 2011, na qual o linguista criticou duramente o andamento das pesquisas no campo, em particular quanto às tendências mais recentes de utilização de modelos computacionais sofisticados. Para Chomsky, a possibilidade aberta pelos progressos da computação, permitindo-nos trabalhar com volumes de dados sem precedentes, não conduz necessariamente a uma ciência mais interessante – ao contrário, tem gerado reflexões superficiais. A imediata e contundente contestação de Peter Norvig à posição de Chomsky gerou grande repercussão ao longo do ano. Na semana passada, em entrevista à “The Atlantic”, Chomsky reforçou e ampliou sua argumentação inicial sobre os resultados pífios do campo da Inteligência Artificial a despeito dos progressos tecnológicos (ou, até, por conta deles).

Mappa da exportação dos effeitos que sahirão pela Barra da Parahiba desde 87 té 97. Figueiredo, Inácio José Maria de (grav.) Lisboa: Na Officina da Casa Litteraria do Arco do Cego, 1799. Arquivo digital da Brasiliana USP.
Mappa da exportação dos effeitos que sahirão pela Barra da Parahiba desde 87 té 97. Figueiredo, Inácio José Maria de (grav.) Lisboa: Na Officina da Casa Litteraria do Arco do Cego, 1799. Arquivo digital da Brasiliana USP.

Enquanto isso, nos debates sobre as Humanidades Digitais, crescem também algumas vozes críticas à aliança entre o fazer humanístico e as ferramentas computacionais, que podem ser bem representadas pelo recente artigo “Literature is not Data: Against Digital Humanities”, do escritor Stephen Marche.

Entre a crítica de Chomsky à Inteligência Artificial e o artigo de Marche contra as Humanidades Digitais, podemos vislumbrar alguns pontos em comum, que conduzem à pergunta: as tecnologias computacionais podem de fato trazer uma contribuição (interessante, relevante, inteligente) para as humanidades e para as questões que elas levantam sobre o homem (sua inteligência, sua criatividade, sua linguagem, sua arte) – ou tudo o que nos trazem são ferramentas que aumentam nossa capacidade de processar informações, indefinidamente, ilimitadamente – mas superficialmente?

Deixo aqui no ar, como sugestão para nossas discussões, essas leituras e essa pergunta essencial para qualquer reflexão sobre a relação entre as humanidades e as tecnologias computacionais. Termino, sem terminar, lembrando a provocação que postamos nos primeiros dias de existência deste blog, em setembro de 2011, emprestando as palavras de Russell Betts:

“We have infinite computer power at our fingertips,
and without much thought you can create
an infinite amount of nonsense.”

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4 opiniões sobre “Inteligência, criatividade, computação e ciência”

  1. Penso que a lacuna que existe entre a inteligência artificial, ou tecnologia e as ciências humanas é a ciência da informação, representada pela Biblioteconomia, Arquivologia e Museologia, ciências que por vezes são negligenciadas e como resultado, muitas vezes os tecnológicos veem seus projetos vazios e infrutíferos.

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